Ser uma pessoa boa é diferente de ser uma pessoa boazinha
A série Pluribus, da Apple TV, escancara a tensão entre coletividade e individualidade num mundo em que todos se unem à força a uma única consciência, mostrando o custo de agradar acima de pensar por si mesmo.
Adriana Setti
Qual o plot?
A série acompanha Carol, uma das poucas pessoas imunes a um evento que unifica toda a humanidade numa mente coletiva (e boazinha!), convidando a pensar sobre o que acontece quando evitar conflito a qualquer custo torna-se a regra geral de convivência.
Valores universais, como não matar, também são colocados em cheque quando o extremismo entra em cena: na série, nem plantas podem ser “mortas” pra alimentação dos seres humanos.

Em Pluribus, a humanidade aceita qualquer pedido de Carol, sem questionar, porque agradar passa a valer mais do que ética ou responsabilidade. A ideia de bondade se distorce quando a busca por harmonia elimina o senso crítico e o conflito necessário.
Os bonzinhos que nos desculpem, mas discernimento é fundamental
E uma cena emblemática de Pluribus escancara essa ideia: a protagonista Carol pergunta aos “outros” — a humanidade fundida em uma única consciência — se eles lhe dariam uma bomba atômica caso pedisse. A resposta é imediata: sim. Não por ética, nem por convicção, mas porque fariam qualquer coisa pra agradá-la.

Síndrome da mulher boazinha: quando gênero entra na conta
Desde cedo, mulheres são socializadas pra serem:
→ compreensivas
→ agradáveis
→ disponíveis
E aprendem que:
→ dizer não é igual a ser chata
→ impor limites é egoísmo
→ firmeza é antipatia
A mulher boazinha tenta sempre caber, enquanto sua vontade se torna algo altamente negociável. Cilada master, sim?

Triste fim dos bonzinhos
A longo prazo, pessoas boas — mas firmes — constroem relações mais honestas, enquanto pessoas boazinhas podem acumular cansaço, frustração e, às vezes, até uma raiva silenciosa depois de tanta renúncia.