Você domina a tecnologia ou é ela que domina você?
Em seu novo livro, Ronaldo Lemos discute como podemos retomar o controle da nossa atenção em um mundo saturado por algoritmos e inteligência artificial.
Adriana Setti
Ronaldo Lemos é um dos principais observadores da tecnologia e das transformações digitais no Brasil, além de coautor do Marco Civil da Internet. No recém-lançado livro O Monge, o Iogue e o Faquir (Todavia), ele resgata conhecimentos milenares pra diagnosticar o cansaço contemporâneo e propõe caminhos pra deixarmos de operar como máquinas movidas a estímulos externos.

Os sistemas de IA aprenderam a conversar, ao mesmo tempo, com o faquir, o monge e o iogue que vivem dentro de nós:
→ O faquir: representa a relação com o corpo, a disciplina física, a resistência e a materialidade da vida.
→ O monge: representa a relação com as emoções, o amor, o prazer e a devoção.
→ O iogue: representa a relação com a mente, a atenção e o pensamento.
“A atenção é o que temos de mais precioso nas nossas vidas. É através da atenção que amamos, que aprendemos, trabalhamos, sofremos, criamos, rezamos, convencemos. É por meio dela que nos relacionamos com o corpo, com o coração, com a mente, com os outros e com as máquinas. A atenção é a pedra angular da vida humana.”
Ronaldo Lemos em O Monge, o Iogue e o Faquir

Quatro exercícios pra retomar as rédeas:
Rituais de desconexão — Criar tempos e lugares sem telas.
Escuta profunda — Ouvir o outro por inteiro, observando-se e sem a interrupção do celular.
Treinar a presença — Exercitar atividades que ancoram a mente no corpo, como a caminhada consciente e o serviço desinteressado.
Silêncio cognitivo — Reservar momentos pra não consumir nenhum estímulo, deixando o pensamento assentar.

“[O mestre] é nossa capacidade de pausar, mesmo diante do mundo em aceleração. De sabermos sentir, mesmo quando tantos estímulos nos confundem e anestesiam. O mestre sabe pensar, mesmo quando a exigência agora é dar respostas rápidas e pra tudo.”
Ronlaldo Lemos