Correr, rir e reunir: o recomeço de Bernardo Lamarca
Com um bom humor inabalável, o engenheiro carioca fez da corrida uma ferramenta pra reaprender tudo do zero — e levou junto com ele milhares de pessoas.
The Summer Hunter Staff
Em 2021, a vida do engenheiro carioca virou do avesso. Ele sofreu um acidente — ou, como gosta de brincar, “atropelou um carro” — e acordou sem entender nada. Literalmente. Teve que reaprender tudo: a respirar, a levantar, a andar. Desde então, reconstruiu não só o corpo e a rotina, mas também a coragem de ser quem realmente é. “Eu estava vivendo uma vida que achava que era a que tinha que viver”, conta. “O acidente me fez buscar quem sou, e buscar coisas pra ser quem eu miro ser.”
Entre essas descobertas, surgiu a vontade de ajudar os outros. Foi então que Bernardo teve a ideia de transformar a corrida — que era uma forma de preservar a própria saúde — em um movimento capaz de reunir e mobilizar milhares de pessoas em prol do bem coletivo.

O primeiro projeto nasceu com a ajuda de um único amigo e foi pensado pra cerca de cem pessoas. “Juntamos uma grana que foi o dobro da meta e arrecadamos duas toneladas de alimentos”, lembra. “Quando terminou, foi uma alegria imensa. Eu disse: ‘Quero fazer isso com 10 mil pessoas!’” E não parou mais.
Hoje, Bernardo organiza eventos solidários no Rio de Janeiro que misturam atividades como corrida, bike e aulas de funcional, alongamento e relaxamento. Tudo isso sem deixar de lado o bom humor e a capacidade de rir de si mesmo: já correu de chinelo, vestido de unicórnio, completou um triathlon de sunga e passou horas nadando na Lagoa Rodrigo de Freitas com uma boia (também de unicórnio). “As pessoas acham que sou louco — e eu sou meio louco mesmo. Mas também sou muitas outras coisas.”
Mais do que loucura, o que move Bernardo é a coragem de se colocar em movimento, mesmo quando o caminho está longe de ser claro. “Só eu posso superar os meus medos e a minha vergonha de arriscar pra chegar aonde quero chegar”, diz. E quando ele fala em arriscar, não se trata de pequenas decisões: é sobre mudar de emprego, de cidade, de vida. Afinal, como ele mesmo diz, nunca teve medo de se jogar em situações de risco.
Mas não se trata apenas de se desafiar e ajudar os outros. Os motivos pelos quais o carioca corre são muitos. “Eu corro atrás da vida que eu quero ter, da minha saúde, dos meus amigos e dos meus projetos.” Mas, talvez, o maior deles seja pra se sentir vivo e bem na própria pele. “Pra mim isso é viver: ter o privilégio de se esforçar ao máximo pra ser quem você é.” E rir de si mesmo no caminho.

É com a história do Bernardo que chega mais um episódio da websérie O que eu penso quando eu corro?, uma parceria entre The Summer Hunter e Netshoes. Ao longo de oito episódios, a gente corre junto com quem faz graça da vida e da corrida, com quem sorri enquanto se movimenta, e que agradece todos os dias por simplesmente poder se levantar, por o tênis e sair pra correr.