The Summer Hunter, o lado solar da vida

Você vai fracassar. E daí?

Um brinde aos nossos deslizes e ao que podemos aprender com eles.

Manuela Stelzer

O emprego dos sonhos que virou um pesadelo, a meia maratona interrompida antes da linha de chegada, o término de um relacionamento em que se investiu tempo e carinho… 

Somos obcecados por histórias de sucesso na mesma intensidade em que repelimos tudo o que não saiu como gostaríamos. 

Mas os fracassos também fazem parte do roteiro — e abraçá-los pode ser uma maneira de seguir em frente.

A arte de fracassar

Em Vancouver, no Canadá, a mostra Museu dos Fracassos Pessoais exibiu vestidos de noiva nunca usados, plantas mortas e cartas de rejeição. Já o Museu do Fracasso, em Londres, no Reino Unido, reúne produtos e serviços que não deram certo — seja porque a ideia não era tão promissora, seja porque o mercado não comprou a proposta.

Em uma sociedade que insiste em esconder as falhas, expor os erros é uma maneira de reafirmar seu valor: é a partir deles, mais do que das conquistas, que aprendemos e evoluímos.

“O fracasso é parte essencial da vida. Vem com a tentativa. Às vezes as coisas saem como você quer, às vezes não.”

Eyvan Collins, idealizador da exposição Museu dos Fracassos Pessoais, em entrevista à CBC

Desistir é sempre uma opção
A persistência é um dos ingredientes do sucesso. Mas quando algo deixa de fazer sentido, abrir mão pode revelar caminhos que jamais seriam considerados se tudo tivesse saído como planejado. Como escreve o psicanalista Adam Phillips no livro Sobre desistir (Ubu), “há sempre uma negociação imaginária em curso: ao abrir mão de alguma coisa, abre-se espaço pra outra”.
Como abraçar seus fracassos
. Coloque em perspectiva — um erro não define toda uma trajetória.
. Compartilhe experiências — falar sobre o que deu errado nos ajuda a perceber que todo mundo carrega seus fracassos.
. Mude a rota — às vezes, o plano inicial só precisa de uma nova direção.

“Pensar no fracasso como parte do processo normaliza a experiência e a torna esperada, em vez de uma exceção.”

Melanie McNally, psicóloga e autora do livro The Emotionally Intelligent Teen, em entrevista à Fast Company

Fracassar faz parte da experiência humana, sim. Mas isso não significa romantizar qualquer erro. Com o tempo, a gente acumula ferramentas, informações e aprendizados que ajudam a não tropeçar sempre no mesmo lugar.