Você não perdeu a criatividade — só se leva a sério demais
Criar não é uma questão de talento, mas de lembrar quem você era antes de se preocupar em performar.
Adriana Setti
Na infância, a criatividade é natural — a gente desenha, canta e inventa mundos sem pensar se está fazendo “certo”.
Mas crescer traz uma inversão: o brincar vira perda de tempo e o erro, motivo de vergonha.
Aos poucos, vamos trocando o prazer de criar pela eficiência. E, com isso, perdemos o direito ao improviso, à curiosidade e ao ócio fértil.


Bela adormecida
A boa notícia é que, na maioria das vezes, a criatividade não desaparece — ela se esconde. Pra reencontrá-la, não é preciso mudar de carreira, nem fazer curso de cerâmica. Basta prestar atenção ao que faz (ou fazia) você vibrar. Sabe aquela sensação de estar completamente entregue a algo, mesmo sem saber no que vai dar?
“O pensamento livre e exploratório estimulado por um hobby pode transbordar pra outras áreas da sua vida.”
Zorana Ivcevic Pringle, pesquisadora sênior do Centro de Inteligência Emocional da Universidade de Yale, nos EUA, e autora de The Creativity Choice, à Vox
Quando a gente para de criar pela performance e volta a criar pra sentir, as coisas se movem. A pressão de acertar vai se diluindo e o processo vira o próprio objetivo. Desenhar em um guardanapo, escrever um poema, tocar um instrumento desafinado — isso é exercitar a liberdade criativa.

