The Summer Hunter, o lado solar da vida

Você ainda se sente adolescente?

A grande limpeza de final de ano também pode passar pelas suas redes sociais.

Manuela Stelzer

Legalmente, a vida adulta começa aos 18 — é quando a gente passa a responder pelos próprios atos e costuma ter que lidar com decisões mais sérias.

Mas, do ponto de vista neural, a história é outra.

De acordo com um novo estudo da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, a maturidade só chega aos 32 anos — antes disso, nosso cérebro ainda é considerado adolescente. 

Não é uma notícia ruim

Isso não é, necessariamente, sinal de imaturidade. Não precisa envolver rebeldia, turbulências da puberdade ou questões de autoestima. É o que a ciência chama de adolescência neural, que começa aos 9 anos e segue evoluindo até o cérebro atingir seu pico de desenvolvimento.

Cérebro adolescente:
. As áreas cerebrais “conversam” mais rápido, mesmo distantes umas das outras.
. O mapa geral das conexões é mais organizado.
. Raciocínio ágil.
. Habilidades abstratas estão no seu melhor momento.
. Memória de longo prazo estável e confiável.
Saber que a adolescência vai até os 30 traz um certo alívio: ninguém precisa ter a vida resolvida aos 20.

Mais vulnerabilidade

Apesar da rede de neurônios estar a pleno vapor durante a adolescência, é nesse período que também mora o maior risco de transtornos mentais. A juventude é cada vez mais vista como um momento instável, ansioso e até triste — bem diferente da leveza e da liberdade que tradicionalmente eram associadas a essa fase da vida.

“Ao que tudo indica, os 20 e poucos anos são a pior fase. Depois disso, começamos a ver uma redução das emoções negativas, que caem bastante entre os 40 e 50 anos.”

Laura Carstensen, professora de psicologia da Universidade Stanford, nos EUA, em entrevista ao Time

De acordo com o estudo de Cambridge, as cinco fases da vida são:
Infância: 0-9 anos
Adolescência: 9-32 anos
Idade adulta: 32-66 anos
Envelhecimento inicial: 66-83 anos
Envelhecimento tardio: 83 anos em diante
Enquanto na infância e na adolescência o cérebro passa por transformações intensas, ao chegar na idade adulta ele atinge um “platô” de inteligência e personalidade. É na primeira e na segunda fase da velhice que a curva de evolução começa a declinar. Ficamos mais nostálgicos e nosso grande trunfo passa a ser o conhecimento acumulado ao longo da vida.

O que falta investigar

No estudo, não houve análise separada entre homens e mulheres, o que deixa de fora fatores importantes, como a menopausa. E, embora as conexões do cérebro influenciem memória, atenção, linguagem e muitos outros processos, não existe um cronograma tão rígido: cada pessoa atravessa essas fases no seu próprio tempo.