Vento Festival muda de praia e traz novidades. Francisco, El Hombre e Do Amor são algumas das atrações
Depois de duas edições transformando os ares de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, o Vento Festival fez uma curva fugindo do trânsito da barca e passa a ocupar, entre os dias 15 e 18 de junho, a vizinha e charmosa São Sebastião. Além da mudança de endereço há uma rajada de novidades imperdíveis…. Ver artigo
Rafael Bittencourt
Depois de duas edições transformando os ares de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, o Vento Festival fez uma curva fugindo do trânsito da barca e passa a ocupar, entre os dias 15 e 18 de junho, a vizinha e charmosa São Sebastião. Além da mudança de endereço há uma rajada de novidades imperdíveis. E, o que é melhor, tudo grátis!
Além das bandas já confirmadas (Mombojó, Macaco Bong, Paula Cavalciuk e Ava Rocha), hoje deve sair a confirmação de duas novas atrações musicais: a banda carioca Do Amor e os psicodélicos campineiros do Francisco el Hombre, que encerra o primeiro dia de evento.

Francisco el Hombre. Foto: divulgacão
Em parceria com o Spotify, o Vento Festival fará uma série de mesas de discussão com músicos, produtores e agitadores culturais sobre o mercado e como a arte pode transformar a sociedade. Em um papo mais transcendental, uma das conversas será justamente sobre o tema do evento, “Olhar para dentro”, que explorará a relação com o outro sob diferentes pontos de vista, do misticismo à neurociência.
Ouça a playlist do Vento no Spotify:
Para quem se inspirar com estes papos e quiser criar a própria mesa de debates e trocar uma ideia com amigos e quem mais se interessar, as Mini Arenas estarão organizadas para receber os grupos com os convidativos dizeres: “Faça aqui a sua conversa”.
A Feira Vila Vento continua valorizando os designers do litoral, com uma curadoria super afiada. E, pela primeira vez, o Cine Netflix realiza exibição de filmes que tenham tudo a ver com o universo do Vento, a exemplo do documentário “Humano – Uma Viagem pela Vida”, do francês Yann Arthus-Bertrand.
A seguir, um papo com a Anna, que contou com exclusividade para gente algumas novidades desta próxima edição.

Anna Penteado, idealizadora do Vento Festival. Foto: José de Holanda
Anna, no ano passado vocês fizeram um mini documentário perguntando para os artistas que participaram do evento, o que significava Vento para cada um… E a gente te pergunta: o que é Vento para você?
Vento condiz muito com o que a gente quer trazer: transformação, movimento. É algo que nos atrai muito, porque é algo que você não vê, mas sente. O nome veio por isso, e porque o vento é muito forte e um elemento muito presente na vida de quem mora na região de São Sebastião e Ilhabela. É algo muito característico dali, por que fala-se muito do tal “vento sul”, que quando surge muda todo o clima da região.
Nesta 3ª edição vocês trocaram Ilhabela por São Sebastião. O que o Vento tem de melhor para oferecer a São Sebastião e vice-versa?
É uma oportunidade de reeducação do olhar para a cidade. São Sebastião tem muita história indígena, monumentos tombados, foi o local onde portugueses aportaram antes de seguir para o interior do estado. Mas quando o porto chegou à cidade, começou a ficar tudo meio abandonado, a cidade estava adormecida e pedindo muito essa energia para se reinventar.

Edição de 2016 do festival, em Ilhabela. Foto: Marcel Nascimento
Como você vê a atual cena de música independente do Brasil?
Sou uma completa apaixonada por esse cenário. Me alimenta como ser humano. É muito importante esse momento que a gente está vivendo: desde o começo dos anos 2000, ser um artista independente virou uma escolha, algo que empodera, dá força e muito mais autenticidade para o artista. É a autoestima de poder ser quem você é. Para a arte isso é muito importante, por que a arte materializa a vida.
Ano passado o Vento trouxe muitos artistas “empoderados”, que andam despontando agora. Qual o mote desta 3ª edição?
Ano passado falamos de diversidade e liberdade. Trouxemos artistas que incorporavam essa filosofia, como a Liniker, o Johnny Hooker, a Karina Buhr… Esse ano a gente olha pra dentro de nos mesmos para tentar entender que também são nas diferenças que podemos nos encontrar. Precisamos ter empatia e entender que a gente é todo mundo. Só se colocando no lugar do outro vamos conseguir ter uma sociedade mais tranquila e honesta.

Karina Buhr se apresenta no Vento Festival 2016. Foto: Marcel Nascimento
E como você acha que o mercado e a mídia veem tudo isso?
A gente está vivendo um momento muito bonito, porque as pessoas estão com vontade de falar, os artistas estão muito transgressores, desconstruindo inclusive a equação clássica do jabá. Por que o independente é o boca a boca e na hora que a arte toca o coração, não adianta. O resultado é a grande mídia chamando esses artistas independentes para mostrarem a arte e o trabalho deles, pois começam a entender que é disso que eles precisam, porque é essa verdade que o público quer.
Nesse sentido, quais são as suas apostas musicais?
Eu admiro muito a Linn da Quebrada, porque além de ser uma grande intérprete, ela tem um discurso e uma eloquência incríveis. Ela também traz outros elementos para o funk, como tambores. É importante ter o público trans falando com todo mundo. Eu percebo que antes tinha aquela coisa da trans que frequentava a balada da elite e isso era muito pontual que todo mundo admirava, mas não falava com todo mundo. A Linn fala para a trans que apanha na favela, que é estuprada, que a mãe abandona. Essas pessoas a gente precisa tocar também e esses artistas tocam de fato as pessoas que precisam. O trabalho é muito importante por que leva a verdade com leveza: a mensagem entra na casa das pessoas sem que elas percebam e quebra preconceito sem agressão. Isso é transformação.

Do Amor, uma das novas atrações deste ano
Até agora o Vento vai levar para São Sebastião Mombojó, Ava Rocha, Macaco Bong e Paula Cavalciuk. Alguém mais que você possa adiantar pra gente?
O Francisco el Hombre encerra o evento no primeiro dia. É uma banda de Campinas (SP) que fala de empatia e que tem um grande potencial que a mídia ainda não descobriu. A carioca Do Amor também está confirmada. Depois de ter parado um tempo, voltou agora com ótimo álbum “Fodido Demais!” Mas nossa abertura vai ser justamente abraçando a cultura local, com um ritual xamânico dos índios da aldeia do Rio Silveiras, com canto e dança típicos deles que vão se apresentar pela primeira vez para o grande público não-indígena.
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