Vale a pena acelerar tudo?
Abreviar cada mísera palavra, ouvir podcasts e ver vídeos no modo 2x: você realmente aproveita o tempo que “economiza” fazendo tudo mais rápido?
Manuela Stelzer
Vivemos sob a lógica da urgência e da produtividade constante, onde tudo é pra ontem, tudo precisa ser feito rápido — e a paciência virou artigo de luxo.
Na tentativa de vencer o relógio a qualquer custo, a gente encurta o caminho: corta palavras, consome vídeos acelerados, pula etapas.
Mas será que essa pressa toda faz mesmo diferença (positiva) no fim do dia?


Parando pra pensar
Que segundos são esses que você “ganha” ao acelerar um vídeo de 1 minuto? No fim, não é tempo que se poupa: é paciência e atenção que se perde. A ansiedade e o stress também podem aumentar, e a pressa compromete a qualidade do que é feito.
Consumir conteúdos acelerados pode gerar um fenômeno chamado sobrecarga cognitiva: quando o volume de informações ultrapassa a capacidade do nosso cérebro de processá-las.
Fonte: artigo publicado na The Conversation, do professor de ciência cognitiva Marcus Pearce, da Universidade Queen Mary, em Londres


Menos prazer
Existe uma grande diferença entre consumir um conteúdo no ritmo natural e no 2x. Além de reter menos informações, a experiência perde graça e impacto. Isso afeta nossa motivação, nosso momento de lazer e faz até aquilo que a gente gosta parecer tarefa.
