Uruguai: onde menos é mais
Diferente do Brasil, com sua beleza tropical e imponente, o Uruguai conquista no detalhe. São 660 km de litoral, uma calma digna de admiração e o entendimento de cada coisa como um microcosmo.
Dandara Fonseca
À primeira vista, as paisagens do Uruguai podem não impressionar tanto a nós, brasileiros. Não há montanhas dramáticas nem um mar sempre azul-turquesa; o terreno é plano, o horizonte parece infinito, a beleza é mais contida, quase silenciosa. Mas quem olha com mais cuidado descobre ali uma beleza própria, que revela o encanto desse pequeno país conhecido pela calma.

Cineasta e fotógrafa, Mariana Cobra se apaixonou pelo Uruguai desde a primeira visita. “Da mesma forma que o inverno é muito duro, o verão é extremamente solar. Todo mundo se transforma”, conta ela, que voltou diversas vezes.


“Um dia fui à praia com um amigo uruguaio, e ele dizia: ‘mira, Mari, ¡qué lindo! Es increíble!’. E eu pensava: ‘nossa, vários lugares do Brasil são mais bonitos’. Mas, de repente, me peguei totalmente presente naquele momento.” Pra ela, há algo na forma como os uruguaios percebem o mundo: naquele instante, aquele era o lugar mais bonito possível. “Isso me impactou profundamente.”

“Ao olhar os registros, percebi que eram sempre recortes: da luz, do reflexo no mar. Era o micro, nunca o macro. Foi aí que comecei a pensar nesse microcosmo da experiência humana.”
Mari Cobra


Segundo Mari, a série é um convite à calma e à observação em um mundo viciado em velocidade. “Há alguns anos, tínhamos uma conexão mais profunda com as pessoas e com o entorno. Sinto que a série convida a reencontrar esse ritmo, a redescobrir a beleza da presença e dos pequenos detalhes.”
Sobre a autora
Cineasta premiada com o International Emmy Kids Awards (pelo documentário Our Blood, Our Body, em 2019), Mari Cobra também se dedica à fotografia analógica. Em seus ensaios, investiga o Carnaval, a força das mulheres latino-americanas e tudo aquilo que desperta emoção.