The Summer Hunter, o lado solar da vida

Você não é o seu trabalho, mas também não precisa odiá-lo. Que tal o caminho do meio?

Especialista na ciência da felicidade, Renata Rivetti nos ajuda a refletir sobre um jeito equilibrado de encarar a vida profissional.

Adriana Setti

“O que você faz?” Parece um jeito bobo de puxar papo, mas é o reflexo de algo profundo: como o trabalho define o valor humano na sociedade capitalista.

Em um país onde a maioria das pessoas trabalha pra pagar as contas, a ideia de que a profissão deve ser o grande propósito da vida pode gerar frustração e ansiedade. E se a gente focar no meio termo?

Formas contemporâneas de odiar o trabalho:

Great Resignation — movimento em que milhões de pessoas pediram demissão em busca de mais qualidade de vida.

Quiet Quitting — fazer apenas o necessário, sem brilhar, como forma de preservar limites pessoais.

Boreout — esgotamento causado pelo tédio e pela falta de sentido ou desafios nas atividades profissionais.

“Existe uma ditadura tóxica de que é preciso ser feliz o tempo todo — e essa pressão recai até no trabalho. Mas também não dá pra ser só um fardo: se a gente vai passar mais de 100 mil horas trabalhando, que consiga pelo menos ter boas relações, construir um espaço psicologicamente seguro e encontrar atividades que nos motivem.”

Renata Rivetti, especialista na ciência da felicidade e autora de O poder do bem-estar: um guia para redesenhar o futuro do trabalho (Objetiva)

Ajustes pra trabalhar melhor:
Fazer pausas pra recuperar a energia ao longo do dia.
Evitar a armadilha do “teatro da produtividade” — fingir também cansa.
Se organizar e evitar distrações pra conseguir ter mais tempo livre.
Procurar ter momentos de trocas com amigos ou colegas de trabalho.

Intoxicação mental

O grande dilema da nossa época é a “infoxicação”: excesso de reuniões, mensagens, e-mails, notificações. Isso mina a produtividade e aumenta o cansaço. Usar melhor o tempo, filtrar o que realmente importa e até recorrer à inteligência artificial pra reduzir tarefas repetitivas pode abrir espaço pro que é mais significativo — tanto no trabalho quanto na vida pessoal.

“A felicidade também vem de uma vida com significado, e eu posso encontrar isso passando mais momentos com pessoas que eu amo, cultivando a espiritualidade, descansando na natureza, aprendendo coisas novas. Ou seja, usando o tempo de lazer pra se recuperar do stress diário e construir outras coisas.”

Renata Rivetti

As pessoas importam

Segundo Renata Rivetti, um dos maiores preditores de felicidade são as relações que cultivamos. No trabalho, isso significa encontrar afinidades, trocar experiências, participar de conversas significativas, etc. O isolamento constante gera infelicidade.