The Summer Hunter Vozes no Rio Innovation Week: Música feita por robô também vale?
Em um mundo no qual artistas reais dividem espaço com vozes sintéticas, bandas que não existem acumulam milhões de plays e algoritmos decidem o que a gente ouve, qual é o futuro da música?
The Summer Hunter Staff
Quando o processo de criação de uma música é compartilhado com uma máquina, quem é o autor? O que ganhamos e perdemos com a facilidade de produzir uma faixa em minutos?
No novo episódio do The Summer Hunter Vozes, gravado no Rio Innovation Week 2025, maior conferência global de tecnologia e inovação, a gente conversa sobre como a inteligência artificial está transformando o mercado musical.


“A primeira faixa do álbum Caju, da Liniker, começa em um aeroporto, e aquilo ali é inteligência artificial. Ou seja, o álbum mais relevante dos últimos tempos — na minha opinião — usa IA. Mas como ferramenta, que é o que eu defendo. Esse precisa ser um recurso, não o fim.”
Pietro Reis
Jornalista, produtor de conteúdo e curador musical, idealizador do podcast e videocast Segue o Som


“Ao fazer uma música ‘nova’, a IA não cita as fontes que usou como base, muito menos as remunera. E isso tem nos afetado diretamente. […] A cada ano, o mercado de músicas geradas por inteligência artificial lucra mais. E, se a balança sobe pra um lado, ela desce pro outro.”
Julia Mestre
Cantora, compositora e instrumentista, indicada duas vezes ao Grammy Latino neste ano com o álbum solo Maravilhosamente Bem e vencedora do prêmio em 2022 com a banda Bala Desejo

O impacto do uso de obras humanas sem pagamento nem autorização
Os resultados gerados por IA na indústria da música devem passar de R$ 6 bilhões em 2024 pra R$ 99 bilhões em 2028.
A perda dos criadores até 2028 é estimada em R$ 62 bilhões — 24% da receita no período.
Fonte: “Estudo sobre o impacto econômico da IA Generativa nas indústrias da música e do audiovisual” (CISAC – Pmp Strategy)

“Estilo, identidade, originalidade… esse ainda é o tempero essencial de um trabalho na área da arte, da música. […] A gente precisa passar pelo processo criativo, pelos erros, fazer tentativas. Só depois do meu terceiro ou quarto disco entendi qual era de fato a minha identidade.”
Julia Mestre


“A Inteligência Artificial sempre ‘cria’ a partir de um banco de dados. Ela é incapaz de inovar. Por mais que traga coisas parecidas, ainda não inova. E é aí que o papel do artista se torna mais fundamental do que nunca: se tudo ficar igual, a gente vai estagnar.”
Pietro Reis

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