Só a torcida salva
A Copa do Mundo desperta uma paixão quase irracional nos brasileiros: mesmo na pior campanha da seleção desde 1990, o país pintou o rosto, resgatou o verde e amarelo e fez a festa acontecer.
Manuela Stelzer
Como muitos brasileiros, o fotógrafo paulistano Alexandre Urch tem uma relação de amor e ódio com a seleção. Mas durante os 90 minutos em que a bola está rolando, ele não consegue olhar só pra televisão. É nesse momento que a cidade muda de ritmo e a torcida se junta pra mostrar que essa paixão coletiva continua viva.


“O trabalho pausa, os olhos se voltam para as telas, as mãos se unem em oração”, diz o fotógrafo. “Mesmo quando a seleção não vive seu melhor momento, mesmo quando a tristeza da eliminação chega mais uma vez, existe algo na torcida brasileira que permanece aceso. Uma esperança teimosa, bonita e quase inexplicável. No fim, é a torcida que mantém o time de pé.”


Durante a Copa do Mundo, um telão no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, é erguido pra que quem trabalha pela região consiga acompanhar os jogos. Foi ali que, nas edições de 2010 e 2014, Alexandre decidiu registrar cenas que, segundo ele, “só quem é brasileiro entende de verdade”.


Afinal, a gente pode dizer que nunca mais vai torcer, que o futebol não é mais o mesmo, mas, mesmo na pior campanha da seleção desde 1990, o país resgatou o verde e amarelo e fez a festa acontecer. O sonho do hexa foi adiado pra 2030, mas o primeiro título da seleção feminina brasileira pode chegar ano que vem, quando o Brasil sedia a Copa pela primeira vez. Quem vai perder essa torcida?

Sobre o autor
Alexandre Urch cursou design gráfico e é fotógrafo profissional desde 2000. Venceu diversos prêmios de fotografia, entre eles a XVI Bienal Nacional de Arte Fotográfica em Cores e o Concurso Canon Jornalistas em Foco, e já participou de exposições coletivas e individuais pelo Brasil e no exterior. Em seu trabalho autoral e documental, ele busca tornar o invisível e ordinário visível pra todos.