The Summer Hunter, o lado solar da vida

Quem é você quando o despertador toca?

Por que a gente insiste em recorrer à função soneca e quais os efeitos dela na qualidade do nosso sono.

Manuela Stelzer

A cama nunca esteve tão confortável e o travesseiro, tão macio. Você nem imagina que está sonhando quando, de repente… o despertador toca.

Pra muita gente, o instinto é apertar o modo soneca — qualquer coisa por mais nove minutinhos de sono, né? Mas quais são os reais efeitos, positivos e negativos, dessa decisão?

Um chorinho

Seja o botão que adia o alarme por alguns minutos, seja aquela sequência infinita de despertadores programados em intervalos curtos. Na prática, é a mesma coisa: uma forma de negociar com o sono quando o corpo pede um pouco mais de descanso.

Pode ser bom
Apesar de limitadas, algumas pesquisas indicam que quem usa a função soneca pode contar com um raciocínio mais afiado nos primeiros momentos do dia.
Esse pequeno período extra na cama ajuda o cérebro a “despertar aos poucos”, o que pode reduzir a sensação de confusão ao acordar.
Fonte: estudo “Is snoozing losing? Why intermittent morning alarms are used and how they affect sleep, cognition, cortisol, and mood”, da Universidade de Estocolmo, na Suécia
Mas também pode ser ruim
Outros pesquisadores alertam pro efeito contrário: a soneca fragmenta o sono REM, etapa que se concentra justamente no fim da noite e no início da manhã.

É nesse momento que o cérebro organiza memórias e emoções, além de consolidar aprendizados. Interromper esse processo repetidas vezes pode deixar a mente mais cansada ao longo do dia.

“Por que colocar o despertador às 6h se você vai apertar a soneca até às 7h? É preferível que o indivíduo durma de uma forma mais contínua.”

Luciano Ribeiro, neurologista e médico do sono, em entrevista à Gama

Por que NOVE minutos? 

As explicações são muitas. Alguns especialistas dizem que, com 10 minutos, entramos em um estágio mais profundo do sono. Outros lembram que, por limites técnicos dos primeiros relógios mecânicos, ciclos de 9 minutos eram mais fáceis de programar. Também há quem acredite que esse intervalo funcione como uma barreira psicológica: por ser menor que 10 minutos, torna mais fácil ceder à soneca sem culpa.

Quando a soneca esconde algo
Verdade seja dita: não é o fim do mundo optar por uns minutos extra na cama, ainda mais depois de uma noite mal dormida. Mas pessoas com insônia, apneia ou outras condições relacionadas ao sono tendem a recorrer mais a esse mecanismo — o que pode disfarçar sinais que merecem atenção e cuidado médico.
Trava uma batalha diária com a soneca?
Algumas dicas pra quem quer largar:

. Coloque o celular longe da cama: você vai precisar levantar pra desligar, o que evita adiar o despertador no modo automático.
. Procure luz: de preferência, solar. Ela inibe a produção de melatonina, hormônio que induz o sono.
. Opte por um som mais ameno: nada de buzinas ou alarmes estrondosos. Configure pra que o tom aumente gradativamente.