Quem cuida de quem cuida?
Uma reflexão sobre caminhos possíveis pra que o cuidado não seja uma responsabilidade solitária.
Fernanda Nascimento
Geração sanduíche: pais idosos precisando de atenção, filhos pra criar e cuidar.
O desafio de conciliar essas duas (árduas) tarefas afeta diretamente a inserção e o desenvolvimento de quem cuida no mercado de trabalho. Além disso, a situação cria um círculo vicioso: menos renda leva a menos ajuda e mais sobrecarga.
No fim das contas, o prejuízo vai além da vida profissional e também afeta a saúde física e mental da pessoa responsável pelos cuidados. Tem solução?


“Trata-se do básico: dormir minimamente bem, fazer todas as refeições, ir à terapia, manter uma rotina de saúde, com exercícios e check-ups, e sustentar alguma vida social e de lazer. É uma questão de sobrevivência”.
Mariana Mello, jornalista dedicada ao estudo da gerontologia social e criadora da newsletter Maturidades
Favor? Não. Corresponsabilidade
Quando a pessoa a ser cuidada conta com mais de um familiar em sua rede (supostamente) de apoio, é fundamental haver uma divisão prática de tarefas, dentro de uma escala possível. Por exemplo: um trata da parte financeira, outro marca consultas, outro fica responsável pelas compras. O nome disso não é ajuda, mas dever.

“Fazer terapia é uma forma de lidar com o próprio desamparo, com o medo do envelhecimento, do morrer e da morte, além de compreender os conflitos que podem surgir na tarefa de cuidar e na relação com os outros cuidadores, em geral irmãos.”
Paula Cordeiro Zilio, psicóloga

O papel do Estado
Cuidar de quem cuida também é uma questão social e econômica. A redução da jornada de trabalho é uma das medidas debatidas pra enfrentar a sobrecarga da geração sanduíche. Especialistas também defendem políticas públicas como ampliação da rede de cuidadores, acesso facilitado a apoio psicológico, centros-dia pra idosos e incentivos à flexibilização do trabalho.