The Summer Hunter, o lado solar da vida

Por que o parabéns brasileiro é mais legal

As particularidades e as tradições que colocam a nossa canção de aniversário no topo do ranking.

Manuela Stelzer

O Parabéns pra você é daquelas canções que parecem vir de fábrica: a gente já nasce sabendo cantar.

Mas, se parar pra pensar, a versão brasileira é muito mais longa, barulhenta e cheia de camadas do que as de outros lugares do mundo.

E não para por aí: ela nunca é exatamente igual. O que faz todo sentido num país tão grande e criativo quanto o Brasil.

A origem

O nosso parabéns surgiu em um concurso nacional organizado pela extinta rádio Tupi, em 1941, pra escolher a versão em português do Happy Birthday to You. A vencedora foi uma farmacêutica de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, que desbancou outros milhares de concorrentes.

A versão original era assim:
“Parabéns, parabéns / Nesta data querida / Muita felicidade / Muitos anos de vida” 

Ao longo dos anos, a letra “oficial” sofreu leves alterações — de “parabéns a você”, que virou “pra você”, a “muitas felicidades”, agora no plural.

Um continente de variações

Graças ao tamanho do país e à criatividade do brasileiro, vários estados, cidades, comunidades e até famílias criaram seus próprios versos e continuações. O que se manteve inabalável foi o ritmo animado e o clima de festa que, se depender do parabéns, não tem hora pra acabar.

A principal rixa dos aniversários: 
é pique! ou é big!?

A disputa acaba no verso seguinte, quando todo mundo entoa:
É hora, é hora, é hora é hora é hora!
Rá-tim-bum!

Algumas variações pelo Brasil 

Rio Grande do Sul — Tem todo um vocabulário próprio de aniversário, conhecido como “Parabéns da Lavoura” ou “Parabéns Crioulo”.

Alagoas — Terminado o parabéns, começam os versos religiosos: “Fulano será abençoado, porque o Senhor vai derramar o seu amor…”.

Minas Gerais — É seguido por várias estrofes religiosas, como: “O Senhor te completa mais um ano de idade, a você desejamos muitas felicidades! Viva!”.

Bahia: um caso à parte

O parabéns baiano quase nunca vem desacompanhado. Além da canção que todo mundo conhece, aparecem versos tão criativos quanto:

“Chegou a hora de apagar a velinha…”

“Que Deus lhe dê muita saúde e paz e que os anjos digam amém…”

“É vatapá, é caruru… Ô ciclano eu vou comer seu bolo”

De norte a sul do Brasil, a letra muda e o ritmo varia. Mas uma coisa permanece intacta, não importa o CEP:

o aniversariante atrás do bolo, sorrindo meio sem graça, batendo palma por obrigação, sem saber se olha pra vela, pra câmera ou pro chão.
Constrangimento mesmo é nas festinhas da adolescência, quando ao terminar a canção clássica, o coro enche o peito e canta:

Com quem será!?
E o primeiro pedaço vai pra…
Quem importa. Família, amizades de uma vida, parceiros amorosos. Nossa maneira nada clichê de dizer que o verdadeiro presente é comemorar ao lado de quem a gente ama.