Por que amamos Serginho Groisman
Com seu jeito único, voz calma e escuta generosa, o jornalista é uma das figuras mais queridas — e indispensáveis — da televisão brasileira.
Adriana Setti
Paulistano de fala mansa, Serginho Groisman é jornalista, apresentador e mestre na arte da conversa. Desde os anos 1990, atua como um agente de democratização da TV, abrindo espaço pra jovens — fala, garoto! — artistas, ideias e histórias. Aqui, a gente conta por que o considera uma figura essencial no Brasil de hoje e de sempre.
Bom de papo

Serginho começou nos bastidores da TV Cultura, emissora na qual, em 1990, fez história com o Matéria Prima, programa que abriu o microfone pra plateia jovem e consolidou o formato que se tornaria sua marca registrada. A partir de 1991, já no SBT, apresentou o Programa Livre. Há quase 25 anos, comanda na TV Globo o Altas Horas, onde continua cabendo de tudo: de Sandy & Junior a Djamila Ribeiro, de Luan Santana a Fernanda Montenegro.
Oásis de diálogo
Serginho criou um dos poucos espaços da TV onde diferentes gerações e visões de mundo se encontram — sem barraco, sem gritaria, com afeto e bom senso.

Gentileza gera gentileza
Mesmo com décadas de carreira, nunca se colocou acima dos convidados. É o contrário do estrelismo: sua elegância está na escuta, no tempo que dá pro outro brilhar.


Muito antes do streaming…
Na década de 70, em plena ditadura militar, produzia shows no Colégio Equipe, em São Paulo, com grandes nomes da música: Gilberto Gil, João Bosco, Belchior, Luiz Melodia, Jards Macalé, Titãs… Certa vez, conseguiu a façanha de espremer, no banco de trás do seu Fusca, a realeza do samba: Cartola, Nelson Cavaquinho, Clementina de Jesus e Dona Zica.
Garimpeiro de talento
Na TV, continuou exercitando seu faro — e sua coragem — pra dar voz ao novo. Ajudou a bombar bandas como Charlie Brown Jr., Skank, Chico Science & Nação Zumbi, Los Hermanos e muitas outras.

Nunca é tarde

Começou na TV aos 40, foi pai de Thomas aos 65 e, aos 75 anos, é mais relevante do que nunca ao se comprometer com o rigor jornalístico e o diálogo na era da polarização e da desinformação.
Crédito da imagem de abertura: Norma Albano, Estadão