Por que amamos Rita Lee
No aniversário de 45 anos do álbum Rita Lee e do hit Lança Perfume, a gente celebra a “padroeira da liberdade”, que segue inspirando gerações a viver com coragem, irreverência e autenticidade.
Adriana Setti

A paulistana Rita Lee Jones (1947-2023) já nasceu com nome artístico e nunca coube em rótulos. Cantora, compositora, escritora e comunicadora, transformou rebeldia em arte e fez da ironia a sua forma de poesia.
Rainha do rock brasileiro — título que ela achava cafona — , continua moldando a cultura pop brasileira e está em todas: no cinema, no teatro e no samba-enredo da Mocidade Independente.
É uma hitmaker insuperável

Vendeu 55 milhões de discos, o que a posiciona entre os cinco artistas brasileiros mais vendidos da história. Tem 315 músicas registradas e 638 gravações — e você certamente sabe boa parte delas de cor.
Revolucionou o rock brasileiro
Com Os Mutantes, foi pioneira em misturar rock psicodélico, tropicália e humor debochado, criando uma sonoridade e uma atitude que marcaram a contracultura no Brasil dos anos 1960. Mais de 50 anos depois, o som da banda ainda faz a sua cabeça explodir.
“Você nem imagina a imensidão do quanto eu estou pouco me fudendo pro que dizem. A vida é curta e eu, grossa.”



Expulsa dos Mutantes em 1972 pelo próprio ex-marido, Arnaldo Baptista — com quem viveu um relacionamento repleto de tretas —, assumiu de vez o papel de protagonista à frente da banda Tutti Frutti, com a qual emplacou sucessos como Agora Só Falta Você e Ovelha Negra.
Ao deixar a banda Tutti Frutti, em 1978, Rita Lee seguiu em carreira-solo e se tornou a grande voz feminina do rock brasileiro, tendo, a partir de então, Roberto De Carvalho como seu parceiro criativo e de vida. Pais de Beto, João e Antonio, e avós de Izabella e Arthur, os dois formaram uma das sinergias mais bem-sucedidas da música nacional — e um dos casais mais longevos e fofos do showbiz.
Explodiu de vez com Lança Perfume

Lançado em 25 de setembro de 1980, o álbum Rita Lee fez história. Nenhuma playlist de festa seria a mesma depois de Baila Comigo, Caso Sério, Bem Me Quer e o hit Lança Perfume.
“A sorte de ter sido eu, de ter sido quem eu sou, de estar onde estou, não é nada, se comparada ao meu maior gol: sim, acho que fiz um monte de gente feliz.”

Multitalentosa e sem limites
Além de cantora e compositora, Rita foi escritora e apresentadora. Suas autobiografias se tornaram best-sellers, com o mesmo humor afiado que a caracterizava nos palcos e a coragem pra abordar passagens espinhosas da sua vida — como o estupro que viveu na infância e sua relação com as drogas.
“Tem duas maneiras de envelhecer: ou você segue as peruas, ou as feiticeiras. As peruas perseguem a fonte da juventude e o maior inimigo delas é o tempo. Já as feiticeiras têm o seu tempo como maior aliado.”


Além da arte
Vegana e defensora dos direitos dos animais, Rita Lee também botou sua voz pra jogo pelo feminismo, pelos direitos LGBTQIA+, contra a ditadura militar e, acima de tudo, pra questionar padrões.