The Summer Hunter, o lado solar da vida

Por que amamos Letrux

Ela brinca com as palavras, transborda no palco e, agora, coloca toda sua sensualidade, tristeza e birutice em novo disco

Fernanda Nascimento

Carioca da Tijuca, mãe de Yoko, autora de dezenas de músicas, textos, poesias e tudo o que a palavra é capaz de construir, Letrux é uma das artistas mais magnéticas da música brasileira. 

No embalo do lançamento de seu novo álbum, SadSexySillySongs, em que a cantora traz um pouco do espírito de cada um de seus últimos discos — e dela própria —, a gente tenta explicar o nosso fascínio.

Garota, me põe pra jogo

SadSexySillySongs é o quarto disco de Letrux, mas não de Letícia Novaes. Antes de adotar o nome artístico pra sua carreira solo, ela já foi Letuce, duo em parceria com o multi-instrumentista Lucas Vasconcellos que rendeu três álbuns, e gravou com a banda de rock Letícios. O prefixo Let é o que nunca muda, porque, do inglês to let, significa deixar que as coisas aconteçam.

Quem não chora não canta
Ela se diz mais escritora que cantora, mas a real é que encontrou uma maneira de ser tudo isso e mais um pouco. Letrux faz poesia, compõe música, publica livro, escreve crônica — de um jeito só dela, que ChatGPT nenhum seria capaz de reproduzir. Desde que ganhou um diário de sua mãe, ainda criança, não economiza palavras.

“Sou tarada em letra. A palavra manda em mim, e eu obedeço.”

Letrux, em entrevista ao Papelpop

Bota na tua cabeça que isso aqui vai render

Machado de Assis sabia disso, e Letrux também: um bom livro tem que começar bem. Sua terceira e mais recente obra, Brincadeiras à parte (Ed. Planeta), logo diz ao que veio: “Quando uma criança passa a testa muito perto de uma quina de mesa, eu sinto um gelo forte no cu. Dura segundos, mas, fosse medida minha temperatura anal, perceberiam o congelamento do local”. 

“Difícil resistir. Molhada, moderna, Letrux é feita pra levar.”

Marina Lima, cantora, na sobrecapa do livro Brincadeiras à parte

Can I have my own clone?

Letrux tem um pouco de sexy, de boba e de triste — como todos nós. A diferença é que ela transforma em disco cada parte de si, sem medo de botar pra fora o que muita gente prefere guardar lá no fundo. Primeiro veio Letrux em noite de climão (2017), depois Letrux aos prantos (2020), Letrux como mulher girafa (2023) e, agora, SadSexySillySongs, que junta tudo isso: “O básico do resumo humano. Aquele pacote que eu sou. E você também”.

Eu quero estar em todas as coincidências

Capricorniana com ascendente em Virgem e Lua em Touro, Letrux é apaixonada por astrologia desde criança — e às vezes até atribui signo às suas músicas. Se da mãe ela herdou o interesse pelo zodíaco, do pai veio a conexão com a umbanda. A espiritualidade faz parte da vida e da arte, mas sem superstições: seu segundo sucesso solo, Letrux aos prantos, foi lançado em uma sexta-feira 13.

“Até aqui, muita estrada. Solavancos, paisagens esplêndidas, chuva torrencial, arco-íris, caronas absurdas, caronas astrais, precipícios insanos, pistas deslizantes. Tem sido curioso estar viva e eu prefiro isso do que ter uma vida ‘boa’. Afinal, o que é isso?”

Letrux, em texto publicado no seu Instagram