The Summer Hunter, o lado solar da vida

Por que amamos Denise Fraga

No seu aniversário de 61 anos, uma homenagem a essa artista sensível e necessária, que acredita no ser humano offline, no teatro e no poder da conversa.

Adriana Setti

Mais do que atriz, produtora e escritora, Denise Fraga é uma contadora de histórias sobre o que há de mais humano. E uma dessas pessoas que vivem em estado de curiosidade.

Em cartaz no teatro com as peças O que só sabemos juntos e Eu de você, e no cinema com o filme Sonhar com leões, ela conversa com o público, milita pelo olho no olho e deixa um rastro de carisma e generosidade por onde passa.

Ama gente, a começar pela família

É casada com o diretor Luiz Villaça, mãe de Pedro e Nino, filha de Eliel e de Wilma, que faleceu recentemente. Mantém em sua casa a mesa em torno da qual, há décadas, a família se reúne pra fofocar. E atire o primeiro lencinho que consegue ouvi-la falar sobre finitude e a morte de sua mãe sem se emocionar profundamente.

“Às vezes, a pessoa tem que investigar se dentro dela não tem algo ‘morrido’. Porque acho que falar da morte, compreender a finitude, imediatamente desperta uma urgência de viver. E de cuidar da sua vida, de pensar o que você vai fazer aqui.”

Denise Fraga, em Conversa com Bial

“Ela não desperdiça seu dom, sua graça. Tudo o que faz, faz com esmero tal, com tanta intenção e profundidade, que alcança em cheio o coração do público e nos transforma, nos põe em movimento.”

Pedro Bial, jornalista

É tão autêntica que transborda

São raras as atrizes que, como ela, conseguem transmitir calor e transparência em tudo o que fazem. Ao ser entrevistada, se abre, aprofunda, divaga, se emociona. E mais: empática até o seu último fio de cabelo cacheado, acaba entrevistando o entrevistador com sua curiosidade e interesse genuíno pelo outro.

“Assim como a gente tem direito à saúde, a gente tem direito à arte — porque a arte ajuda a viver. Quem está em contato com o código poético tem mais condição de compreender a imperfeição humana. Quem lê Clarice, quem lê Pessoa, quem lê os poetas vai sofrer mais bonito.”

Denise Fraga, ao interagir com o público em O que só sabemos juntos | foto: Cacá Bernardes

Ativista da delicadeza

Nunca deixou de se posicionar. Recentemente, abraçou a causa do vício em celular e nas redes sociais, militando pelo olho no olho, pelo ser humano offline e pela importância de viver no mundo real. Aliás, consegue a façanha de estar mais presente do que nunca nas redes, mas sem fazer um uso pessoal dessas ferramentas. É provável, inclusive, que ela jamais veja esta homenagem. Risos.