Por que amamos Circo Voador
De tenda flutuante na Praia do Arpoador a hub cultural na Lapa, o espaço é mais que uma casa de shows: é um símbolo da liberdade criativa e da alma hedonista do Rio de Janeiro.
Adriana Setti
O Circo Voador nasceu no verão de 1982, sob lonas coloridas e com uma missão: ser um espaço aberto à arte, à expressão e à diversidade. Em outubro do mesmo ano, aterrissou na Lapa, onde fincou estacas e virou lenda. 43 anos depois, segue pulsando cultura e mantendo sua autenticidade.


Melhor rolê desde o dia 1
Segundo descreve o jornal O Globo, o público da inauguração era um mix de hippies, surfistas, estudantes e turistas: todos queimados de sol e pedindo mais. Caetano, de calça de cetim amarelo, cantou Outras palavras. E o que rolou a seguir foi um pequeno Carnaval.
“Em 1982, em plena ditadura, o Asdrúbal Trouxe o Trombone participou da inauguração. Um sonho perfeito: a gente ter um lugar pra chamar de nosso! Numa tarde mágica, com sorriso de orelha a orelha, fomos da Praça da Paz até o Arpoador. […] É um pássaro, um avião? Não! É o Circo Voador, voando e fazendo voar.”
Evandro Mesquita, cantor, compositor e ator, em seu perfil no Instagram
Palco de todos os sons



O Circo fez decolar nomes que escreveram a história da música brasileira: Blitz, Barão Vermelho, Cazuza e Paralamas do Sucesso. Também recebeu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marcelo D2, Tim Maia, Lenine, O Rappa, Edson Gomes… E vozes como Criolo, Luedji Luna, Djonga, Marina Sena, Tasha & Tracie e tantas outras. No Circo, o novo e o clássico convivem sem hierarquia.
“Eu acho que subi a primeira vez no palco do Circo em 91, cantei com o DeFalla. Em 92 a gente já estava com o Planet Hemp. Ali é minha casa. Quando eu era moleque, todo mundo sonhava em tocar no Canecão. Meu sonho era tocar no Circo Voador, tá ligado?”
Marcelo D2, cantor e compositor, em entrevista à Veja Rio

Muito mais que música

O Circo nasceu como um espaço múltiplo de arte e assim se manteve, abrigando peças de teatro, circo, dança, saraus, oficinas de diversas modalidades artísticas, protestos políticos e encontros inusitados. Embaixo da lona, a cultura urbana se mistura à alma festiva carioca, o underground encontra o popular, e todo mundo se sente meio dono daquilo tudo.
É resistência
No fim da década de 90, passou por uma crise financeira e baixou a lona por sete anos. Mas resistiu. Foi reaberto em 2004, com apoio da galera que acredita no poder da cultura como força de transformação. Desde então, nunca mais parou. E, a cada geração, se reinventa.


“O Circo Voador é um patrimônio das artes do Rio de Janeiro, com seus espaços de liberdade e seus preços populares. Um dos artistas mais identificados com o Circo foi Tim Maia, que protagonizou espetáculos apoteóticos — e também quase provocou a sua quebra, quando faltou a alguns.”
Nelson Motta, em sua coluna no Jornal da Globo (Rede Globo)