Por que amamos Cássia Eller
Nova biografia revela as várias nuances dessa artista intensona, indomável e absolutamente inesquecível.
Adriana Setti
Em Eu queria ser Cássia Eller (HarperCollins), o jornalista Tom Cardoso revela os bastidores da vida de uma artista à frente do seu tempo, que desafiou padrões e expôs o preconceito visceral da sociedade brasileira contra tudo que não seja heteronormativo.
No embalo, a gente rende homenagem a essa força da natureza, que continua sendo símbolo de liberdade, entrega e autenticidade.



Diferente de todas
Em entrevista ao The Summer Hunter, Tom Cardoso conta que, assim como o célebre crítico musical Tárik de Souza, considera Cássia Eller a maior cantora de sua geração. Segundo ele, nenhuma outra artista consegue cantar com ela, o que explicaria o fato de não ter “herdeiras”.
“No início da carreira, as pessoas diziam que eu devia treinar a voz. Aí eu ouvi Zizi Possi, Gal, Elis, tentando aprender, mas acabei desistindo. Meu jeito é outro. O jeito do Cazuza: garganta lavada e atitude.”
Cassia Eller, em entrevista a Tom Cardoso

“Entrevistei a Cássia algumas vezes, sabia que ela era uma pessoa muito tímida, lacônica. Mas desconhecia o seu lado perfeccionista. Achava que ela era mais punk, de fazer de improviso. E não. Era metódica e estudiosa. Tinha um lado muito João Gilberto.”
Tom Cardoso em entrevista ao The Summer Hunter

“Cássia é uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. Nela está o espírito de Aracy de Almeida e Carmen Costa, de Maysa, Dolores Duran e Almira Castilho. Não é por acaso que seu rock’n’roll se refere ao flamenco, à canção francesa mais visceral e ao blues. Cássia é verdade pura.”
Caetano Veloso em suas redes sociais, no 16o aniversário da morte de Cássia Eller