Por que amamos Caco Barcellos
Ela brinca com as palavras, transborda no palco e, agora, coloca toda sua sensualidade, tristeza e birutice em novo disco
Fernanda Nascimento
Aos 76 anos, recuperando-se de uma cirurgia na perna, Caco Barcellos se viu outra vez no meio de um conflito. No início de abril, na noite em que Trump ameaçou o Irã com “o fim da civilização”, ele foi um dos únicos jornalistas do mundo autorizados a caminhar pelos escombros de Teerã e mostrar os impactos da guerra.
Entre zonas de perigo, presídios e hospitais, Caco está sempre onde muita gente prefere passar longe — e forma profissionais pra seguir o mesmo caminho.
É um contador de histórias
Ele não nasceu em uma família de escritores ou jornalistas, mas cresceu cercado de contos e causos. Seu avô, que levava o neto como assistente pra vender frutas em Porto Alegre, era um trovador e transformava em música as cenas que eles assistiam pelo bairro.
“Na hora da trova, eu observava que uma história trágica era contada com grande humor, ou o contrário. E reportagem é isso. O que você busca na rua é o seu olhar e o olhar dos outros.”
Caco Barcellos, em entrevista a Drauzio Varella

Do lado certo da história
Ele guarda todas as cartas e e-mails que recebe — e não são poucos. Tantas pessoas o procuram porque suas reportagens contam histórias de quem quase nunca é ouvido: moradores de periferias, vítimas de violências, presidiários…

“Eu venho da periferia de Porto Alegre e conheci de perto a violência do Estado. Pouco se investiga sobre a vida das pessoas mortas pela polícia, pois são apresentadas à sociedade como bandidos desconhecidos. Eu consegui identificar 4.200 jovens.”
Caco Barcellos no programa Altas Horas
