Papangus da Peroba
No bairro de Água de Meninos, na Cidade Baixa de Salvador, a Feira de São Joaquim é um verdadeiro tesouro cultural e histórico, que nutre a cidade em todos os sentidos.
Dandara Fonseca
Os papangus são figuras mascaradas que ocupam as ruas de diversas cidades do Nordeste, tanto no Carnaval quanto na Semana Santa. Na Praia da Peroba, em Icapuí, no litoral sul do Ceará, eles saem durante a Queima do Judas, no Sábado de Aleluia. Antigamente, esses personagens abriam as procissões com a função de “espantar os maus espíritos”.

Fotógrafo de moda cearense, Nicolas Gondim conhecia os papangus desde a infância. Mas foi na Páscoa de 2004, durante uma viagem, que ele se deparou com um grupo da cidade de Beberibe e decidiu fotografá-los, ainda de forma analógica. Desde então, toda Semana Santa, ele vai à Praia da Peroba registrá-los, em um projeto que já dura 22 anos.

Nicolas conta que, por lá, os moradores ressignificam materiais do cotidiano pra produzir suas máscaras e vestimentas, como sacos, papelão, cestos de palha e cabaças. “É essa mistura de materiais reutilizados e elementos que torna as fantasias tão criativas e interessantes.”


Acostumado a registrar ensaios editoriais e desfiles, o fotógrafo traz o olhar da moda pra essa tradição. “Não peço pra eles posarem, justamente pra conseguir captar o que eles entendem como pose”, explica ele, que já ajudou a organizar oficinas de máscaras e outros eventos.

“Os ensaios são uma forma de colocar uma lente de aumento em cima dessa manifestação cultural, além de trazer discussões sobre sustentabilidade e até diversidade: os papangus podem ser qualquer pessoa.”
Sobre o autor
Fotógrafo de moda há mais de 30 anos, Nicolas Gondim já produziu diversos catálogos e campanhas, cobriu backstages e retratou desfiles. Mas o olhar do cearense, que vive e trabalha em Fortaleza, também se volta para as manifestações populares brasileiras, que comunicam através das roupas, da maquiagem, dos comportamentos e das expressões.