Os sons do Brasil sil sil
Jingle de gás, vinheta da vitória, anúncio de pamonha… A trilha sonora desse país não tem nada a ver com hino nacional.
Fernanda Nascimento
Você pode até não saber quando ouviu pela primeira vez ou em que momento entrou na sua cabeça. Mas bastam os primeiros segundos pro cérebro reconhecer na hora.
Aqui, selecionamos alguns sons que habitam o imaginário brasileiro — seja porque continuam fazendo parte da nossa rotina, seja porque passaram tanto tempo martelando nos nossos ouvidos que ficaram gravados pra sempre.
Depois do sinal, diga seu nome e a cidade de onde está falando.
O músico curitibano Carlos Freitas só descobriu que sua composição virou o tema oficial da telefonia brasileira quando recebeu uma ligação a cobrar. Ele nunca ganhou um centavo pela obra que criou em 1987 pra um amigo que trabalhava na Telepar, antiga empresa de telecomunicações do Paraná.
Olha o biju! Olha a taboca!
Todo cuidado é pouco na hora de morder esse biscoito feito da fécula da mandioca.
Ó o gás!
Criador de versos como Tchau preguiça / Tchau sujeira / Adeus cheirinho de suor, o músico Hélio Ziskind foi contratado pela Ultragaz em 1989 pra criar um jingle que anunciasse a chegada do caminhão de botijão aos bairros de São Paulo. Sem dinheiro pra encomendar uma música exclusiva, distribuidoras menores recorreram a clássicos de domínio público pra substituir a buzina — e Für Elise, de Beethoven, foi a que virou hino nacional do gás.
Olha aí, freguesia. São as deliciosas pamonhas de Piracicaba.
Cansado de repetir as mesmas frases, o vendedor de pamonhas Dirceu Bigelli resolveu registrar numa fita K7 os bordões que anunciava pelas ruas de Piracicaba, no interior de São Paulo. A gravação fez tanto sucesso que ganhou até homenagem do publicitário Washington Olivetto.
Pamonhas fresquinhas, pamonhas caseiras. É o puro creme do milho verde.
Quebra-queixo
O som é de um triângulo, mas também pode ser um ferro batendo numa capa de rolamento de caminhão. O importante é chamar a freguesia pra olhar o tabuleiro de doces feitos de coco e açúcar.
É doce, doce, doce, parece que tem mel!
O abacaxi de Marataízes, no Espírito Santo, é tão famoso que ganhou até jingle próprio. Quem empresta a voz é Carlos Fernandes, locutor mineiro que nunca visitou a cidade. Mas sua gravação para os carros de venda locais se espalhou Brasil afora.