Os Mascarados
Uma palavra em wolof que une o Senegal e expressa acolhimento, generosidade e hospitalidade. Conheça essa história pelas fotos de Bruno Jungmann.
Adriana Setti
Parte da celebração do Divino Espírito Santo, que acontece entre a Páscoa e Corpus Christi, em Pirenópolis, Goiás, as Cavalhadas são como um teatro a céu aberto. Nessa tradição herdada dos colonizadores europeus, a batalha encenada simula o conflito entre mouros (vermelhos) e cristãos (azuis). Mas a grande magia está nos elementos que foram marginalizados e proibidos no início da história e que hoje se tornam protagonistas: Os Mascarados.

Eles invadem a batalha cheios de irreverência e roubam a cena com alegria, desfilando com seus rostos cobertos, interagindo com o público, montados em cavalos adornados. Depois do teatro, no Cavalhódromo, os Mascarados tomam a cidade, brincando com todos os que passam e pedindo dinheiro pra comprar bebida.

São três dias de folia: o das catulés (máscaras originais de caveira), o do índigena e, no último, o aguardado o Baile das Máscaras, no qual acontece uma competição que elege o Mascarado mais bonito e adornado.


“Quis registrar um Brasil interiorano que raramente vira capa: a beleza dura do Cerrado, o brilho inventado das máscaras, o gesto preciso dos cavaleiros, a fé misturada ao riso”, conta o fotógrafo Fábio Setti.


Os moradores preparam suas casas pra receber visitantes de todo Brasil e os trajes são feitos à mão pelas próprias famílias. O figurino oficial é um paletó, calça jeans, camadas de camisas, luvas, botina e máscara de caveira (catulés). Mas as variações vão conforme a criatividade de cada um e a contemporaneidade. Pro último dia, são preparadas fantasias mais coloridas e máscaras de papel machê, a maioria em formato de boi ou alguma crítica social.

Sobre o autor
Fábio Setti é artista visual brasileiro que investiga diferentes materialidades a partir da fotografia, transitando entre documentação e criação autoral. Seu trabalho explora identidades diversas do Brasil, revelando histórias, rituais, personagens e territórios que se equilibram entre o real e o imaginado.