Os homens que odeiam as mulheres
Documentário investiga os influenciadores que transformam misoginia em lucro e incentivam crimes na vida real — mas não conseguem defender nada disso na frente da própria mãe.
Fernanda Nascimento
Eles dizem ter “acordado pra verdade” e prometem ensinar aos homens como dominar as mulheres e alcançar a riqueza e o poder que sequer conquistaram.
Na rede de misoginia documentada pelo jornalista Louis Theroux em Por dentro da machosfera, da Netflix, influenciadores mostram que são tão hipócritas quanto perigosos — e capazes de levar o discurso de ódio muito além da Internet.

Assim como Tate, outros influenciadores ouvidos no documentário enfrentam acusações — não por seus discursos, mas por crimes na vida real. Já nas redes sociais, eles não encontram barreiras pra fazer lives agredindo pessoas na rua ou espalhar todo e qualquer discurso de ódio, mesmo que muitas vezes chamem a namorada de “lava-louças” só na frente das câmeras.
“Minha mãe ficaria decepcionada por eu falar isso. Ela odeia racismo, homofobia, sexismo. Eu não diria essas coisas perto dela. Eu levaria um tapa.”
Trecho do relato de um dos influenciadores entrevistados em Por dentro da machosfera

“Há muitos meninos e homens perdidos e solitários. Quando veem respostas fáceis — um cara musculoso, aparentemente rico, dizendo que a culpa não é deles —, isso se torna muito sedutor. Especialmente quando você tem 15, 16 ou 17 anos.”
Louis Theroux, documentarista britânico, em entrevista ao Tudum

Mercado da misoginia
A fórmula é simples: quanto mais radical o discurso, mais viralizável ele é. Como as plataformas não impedem a monetização desses conteúdos, isso significa mais dinheiro no bolso dos influenciadores, que também lucram com a venda de cursos, consultorias, apostas e serviços financeiros.
A machosfera não é exatamente uma novidade, mas a velocidade com que esse discurso se espalha na internet é chocante.
Nos últimos oito anos, as denúncias de misoginia online no Brasil cresceram mais de 800%, com média de 24 registros por dia em 2025.
Fonte: SaferNet
