The Summer Hunter, o lado solar da vida

Os dramas de uma mudança

É possível trocar de endereço sem enlouquecer?

Manuela Stelzer

O problema de se mudar é que empacotar a vida inteira costuma ser bem menos divertido do que imaginar a casa nova pronta.

Quando você se dá conta, está no meio de caixas que misturam roupas, louças, itens de higiene, remédios vencidos, cacarecos de origem desconhecida e cadernos antigos que você não tem coragem de jogar fora.

Operação de guerra
Na teoria, mudar parece coisa de um fim de semana. A gente jura que não tem quase nada e que dessa vez vai resolver tudo rápido. Mas, na verdade, é preciso muita paciência pra lidar com as frustrações, os gastos inesperados e o tempo que leva pra aquele espaço todo ficar com cara de casa.

Hora de desapegar

É na mudança que a gente descobre que nunca jogou fora coisas que deveriam ter sido despachadas há anos. Não existe oportunidade melhor pra doar roupas paradas no armário e se desfazer de tralhas sem utilidade. Claro que nem tudo precisa ir embora: algumas lembranças merecem sobreviver à triagem e ganhar uma caixa só delas.

Bingo da mudança
. Chorou porque esqueceu em qual caixa está a toalha de banho.
. Quebrou um vaso de planta no trajeto.
. Encontrou algo que estava perdido há anos.
. Brigou com a pessoa com quem vai dividir o aluguel.
. Se arrependeu de tudo porque o sofá não coube no elevador.
. Levou um ghosting do carreto.
Quem nunca?
Toda mudança tem um momento em que a gente se pergunta: o que eu fui inventar? A sensação piora quando você vê que a campainha não funciona, o fio do abajur não chega na tomada e o wi-fi só vai ser instalado em 7 dias úteis.

É durante a mudança que a gente descobre quem são os amigos de verdade. Um empresta a furadeira, outro opina na disposição dos móveis, e tem aquele que ajuda a empacotar suas roupas ou carregar a geladeira. Quem aparece nessa hora merece um lugar especial na pizza de inauguração da casa nova. 

Um recomeço

Nenhuma casa vira lar do dia pra noite. Isso acontece aos poucos: os livros voltam pra estante, você entende onde bate o sol da manhã, pendura os primeiros quadros na parede e decora onde ficam os interruptores. Passado algum tempo, a gente até esquece do trabalhão que foi mudar de endereço — e, quando vê, está fazendo tudo outra vez.