Os dramas de uma mudança
É possível trocar de endereço sem enlouquecer?
Manuela Stelzer
O problema de se mudar é que empacotar a vida inteira costuma ser bem menos divertido do que imaginar a casa nova pronta.
Quando você se dá conta, está no meio de caixas que misturam roupas, louças, itens de higiene, remédios vencidos, cacarecos de origem desconhecida e cadernos antigos que você não tem coragem de jogar fora.

Hora de desapegar
É na mudança que a gente descobre que nunca jogou fora coisas que deveriam ter sido despachadas há anos. Não existe oportunidade melhor pra doar roupas paradas no armário e se desfazer de tralhas sem utilidade. Claro que nem tudo precisa ir embora: algumas lembranças merecem sobreviver à triagem e ganhar uma caixa só delas.


É durante a mudança que a gente descobre quem são os amigos de verdade. Um empresta a furadeira, outro opina na disposição dos móveis, e tem aquele que ajuda a empacotar suas roupas ou carregar a geladeira. Quem aparece nessa hora merece um lugar especial na pizza de inauguração da casa nova.
Um recomeço
Nenhuma casa vira lar do dia pra noite. Isso acontece aos poucos: os livros voltam pra estante, você entende onde bate o sol da manhã, pendura os primeiros quadros na parede e decora onde ficam os interruptores. Passado algum tempo, a gente até esquece do trabalhão que foi mudar de endereço — e, quando vê, está fazendo tudo outra vez.