The Summer Hunter, o lado solar da vida

O que você perde por querer viajar com todo conforto?

O melhor de uma viagem pode estar no improviso, no inesperado.

Adriana Setti

Hotel impecável, transfers agendados, entradas compradas, restaurantes pesquisados a dedo, reservas feitas. Afinal, no seu tempo livre, o que você menos quer é esquentar a cabeça.

É assim que você almeja viajar?

Será que tanto planejamento (e investimento) não está fazendo com que você deixe de viver o que importa?

O imprevisível é incrível

Quanto mais blindado é o roteiro, menos contato você tem com o inesperado. O excesso de previsibilidade tira a fricção que provoca encontros, histórias e até a sensação de conquista. Reduz a chance de perrengue? Talvez. Mas é nas imperfeições que a viagem deixa de ser produto e vira memória.

Talvez você já tenha grana pra fazer a viagem dos sonhos: só falta cortar alguns itens supérfluos e se abrir pro novo.

O preço do conforto

Lençol de algodão egípcio, ovos benedict, táxi em dólar, restaurantes badalados, ingressos que permitem “furar” a fila do museu, destinos em moeda forte. É gostoso? Claro que sim. Mas acredite: não é disso que você vai se lembrar daqui a uns anos.

As histórias que você vai contar:
A amizade que nasceu em um ônibus lotado.
A comida descoberta numa barraquinha de rua.
O que você encontrou quando se perdeu.
Como deu certo quando parecia que tinha dado errado.
A gargalhada compartilhada em um perrengue.
O gesto de gentileza que mudou o seu dia.

Quando você planeja e investe pesado nos mínimos detalhes, o nível de expectativa fica automaticamente alto. E, ainda que essa antecipação possa evitar perrengues, eles (quase sempre) acontecem, o que pode gerar frustração. Você lida bem? Ótimo. Mas, pra algumas pessoas, a decepção é um convite pra se amargar — tipo o marido insuportável da primeira temporada de White Lotus, sabe?

A meta de viajar da forma mais confortável possível pode estar afastando você de viver coisas incríveis — só que de um jeito mais austero e criativo.  

foto: danill lobachev / unsplash

Conforto também é controle

Você mira em evitar desconfortos, mas também evita transformações. São os imprevistos — o ônibus que quebra, a chuva que chega sem aviso, o caminho errado — que mudam nossa percepção de mundo e nos tiram da bolha.