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O que torna algo autoral em tempos de IA?

Pra gerar uma reflexão sobre arte, autoria e inteligência artificial, um novo projeto da Adobe convidou artistas brasileiros pra criar prompts inspirados na Copa do Mundo de 2026 usando o Firefly.

Adriana Setti

Com a inteligência artificial, basta digitar algumas linhas de texto e assistir à combinação de referências, cores, formas e estilos surgir na tela em forma de imagem. Mas, com ferramentas cada vez mais acessíveis, uma pergunta começa a ganhar força: se todos podem usar a mesma tecnologia, o que torna uma imagem autoral?

É dessa provocação que parte um novo projeto da Adobe, que convidou artistas brasileiros pra criar prompts inspirados na Copa do Mundo de 2026 usando o Firefly, aplicativo de inteligência artificial generativa da empresa focado na produção criativa. Mais do que explorar o potencial da ferramenta, a iniciativa investiga como diferentes linguagens visuais podem transformar um mesmo tema em resultados completamente distintos.

O que torna algo autoral em tempos de IA?
Fernando Schlaepfer
Com as cores vibrantes que marcam seu trabalho, o fotógrafo e diretor criativo Fernando Schlaepfer deu outra cara ao repertório visual da Copa do Mundo.

O primeiro convidado da série é o fotógrafo e diretor criativo Fernando Schlaepfer, conhecido por imagens marcadas por cores vibrantes, personagens expressivos e uma interpretação muito particular da cultura brasileira. Em vez de partir do futebol em si, ele escolheu olhar pro que gira em torno do esporte: os rituais da brasilidade, as emoções, as superstições e os símbolos que surgem a cada Copa do Mundo.

Schlaepfer inaugura uma série que também contará com a participação de outros nomes da cena criativa brasileira, entre eles a artista Carol Gonzalez, que usa técnicas artesanais como desenho, aquarela e stop motion pra construir novos universos visuais.

A artista Carol Gonzales transformou os desenhos que criou com a ajuda da inteligência artificial em uma série feita à mão com massinha, aquarela, giz de cera e bordado.

Ao reunir criadores com linguagens tão diferentes pra reinterpretar um dos maiores símbolos da cultura popular brasileira, o projeto sugere uma reflexão que ultrapassa a inteligência artificial. Em um mundo onde as ferramentas tendem à democratização, talvez a verdadeira assinatura de uma obra continue sendo aquilo que nenhuma tecnologia consegue reproduzir por completo: o olhar de quem a criou.