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O que podemos aprender com a força da Caatinga

Enxergar esse bioma como sinônimo de escassez é ser míope em relação ao que essa parte do Brasil tem a ensinar sobre criatividade e resiliência frente à crise climática.

Adriana Setti

Um dos seis biomas brasileiros, a Caatinga foi, por muito tempo, cercada de estereótipos associados à escassez.

Mas um olhar mais atento revela que essa região de clima semi-árido pode ser parte da resposta que o mundo procura frente à crise climática.

Junto com a Universidade da Floresta, a gente fala sobre as estratégias dessa parte do Brasil, que é fonte inesgotável de criatividade e resiliência.

O que podemos aprender com a força da Caatinga
Foto: Cesar Coelho / wikki commons
Foto: Portoquá / wikki commons

Berço de tecnologias sociais e ecológicas

Os povos indígenas e quilombolas, os sertanejos, as raizeiras, os agricultores, os curandeiros e os mestres de cultura têm conhecimento sobre o manejo de plantas, das suas propriedades e usos medicinais. Também acumulam saberes relacionados a formas de captação de água, bem como de cultivo de fé, saúde e encantamento pela vida.

Projetos pra conhecer e apoiar na Caatinga

Congresso Brasileiro de Agroecologia — Em 2025, o evento acontece de 15 a 18 de outubro na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), entre as cidades de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. É um espaço de articulação entre saberes acadêmicos, populares e tradicionais.

Centro Sabiá — ONG pernambucana que fortalece a agricultura familiar com base na agroecologia. Atua com tecnologias sociais, juventudes e defesa dos direitos humanos no Semiárido.

Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) — Rede com mais de 3 mil organizações que defende os direitos dos povos e comunidades da região. Suas ações estão pautadas, principalmente, na cultura do estoque de água, alimentos e sementes.

Seu Antonio Alencar: ambientalista, escritor, técnico em educação ambiental no IBAMA e idealizador do Encontro de Saberes da Caatinga, em Exu, Pernambuco.

Verônica Gercina das Neves Carvalho, que, ao lado da irmã, Valéria, dá vida ao Terreiro das Pretas do Cariri, espaço de cultura afro-nordestina no Crato, no Ceará, onde promovem a justiça social, a luta pelo acesso a direitos básicos da população preta e a salvaguarda do patrimônio imaterial de seus ancestrais e de seu entorno.

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro.

Suas plantas estão entre as fontes mais eficientes de sequestro de carbono no Brasil.

Foto: Diogo Sergio

Resiliência e paciência

Na Caatinga, muitas sementes só nascem depois da chuva. Elas dormem no solo, às vezes por anos, esperando a umidade e o momento certo pra brotar.

A jurema-preta, o pau-ferro e o mulungu perdem todas as folhas na seca pra reduzir a transpiração.

Umbuzeiro: uma cisterna viva

Foto: Gildassio Oliveira

As suas raízes têm batatas que funcionam como uma espécie de caixa d’água. Pesquisas mostram que um umbuzeiro adulto chega a acumular aproximadamente 1.500 litros de água. É por isso que essa árvore se mantém verde, dando frutos, durante o período da seca.

O mandacaru, ao invés de folhas, tem espinhos que evitam a perda d’água.

Arte da Caatinga

Aislan Pankararu — Artista indígena de Pernambuco que transforma a memória e a ancestralidade Pankararu em linguagem visual. Vive e trabalha em São Paulo.

Véio (Cícero Alves dos Santos) — Escultor sergipano autodidata, ícone da arte popular brasileira. Suas obras em madeira conectam tradições do Nordeste a temas universais.

Cerâmica Artesanal Serra da Capivara — Criada por Niède Guidon em 1992, reúne artesãos do entorno do Parque Nacional da Serra da Capivara. Suas peças de barro são inspiradas nas pinturas rupestres da região.

Crédito da imagem de abertura: A. Duarte / wikki commons