The Summer Hunter, o lado solar da vida

O que faz um dia ser bom?

O que deve ter na sua rotina pra aumentar as chances de um dia feliz? A ciência traz algumas pistas.

Dandara Fonseca

“Tenha um bom dia!”

Já parou pra pensar na quantidade de vezes que você fala ou ouve essa frase sem dar muita importância?

Essa frase pode até parecer conversa de elevador, mas revela um dos nossos desejos mais sinceros: viver bem.

E, apesar das particularidades e do momento de vida de cada pessoa, alguns hábitos e experiências aumentam as chances de terminar o dia com a sensação de que ele valeu a pena. 

Mapeando
Pesquisador da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, Dunigan Folk analisou dados de uma pesquisa da ATUS em que milhares de pessoas registravam o que fizeram ao longo do dia e avaliavam se ele foi típico ou melhor do que a média, pra identificar quais atividades — e em que quantidade — estão mais associadas a um bom dia.

Uma boa conversa

Home office, celular, compras por aplicativo… É cada vez mais fácil passar um dia inteiro sem encontrar ninguém. Mas socializar por pelo menos 30 minutos faz diferença quando o assunto é felicidade e satisfação. Vale um café com um amigo, um almoço em família ou até uma conversa despretensiosa com um estranho. O importante é que você esteja realmente presente naquela interação.

Quem tem um amigo tem tudo: 
quanto mais tempo com eles, maior a probabilidade de um dia feliz, segundo o estudo.
Mexendo o corpo
Mesmo sabendo dos benefícios, essa costuma ser uma das primeiras coisas que a gente abandona quando a rotina aperta e o cansaço toma conta. Mas, além de fazer bem pro corpo, se movimentar ajuda a organizar a mente, aliviar o estresse e melhorar o humor.

Até seis horas de trabalho

Poucas pessoas têm a possibilidade de colocar isso em prática, é verdade. Mas saber que longas jornadas de trabalho afetam diretamente a nossa percepção do que é um dia bom reforça a importância de discutir assuntos como a redução da carga horária, o fim da escala 6×1 e a semana de quatro dias.

O tempo de deslocamento também conta
Deslocamentos curtos não afetam o bem-estar. Mas, depois de 15 minutos, quanto maior o tempo gasto no trajeto, menor a probabilidade de um dia feliz.

Nem todo descanso é igual

No estudo, momentos de relaxamento não tiveram uma forte relação com dias bons, mas isso faz sentido quando olhamos pra um detalhe: a maior parte desse tempo era em frente às telas, assistindo à TV ou usando o celular. Em compensação, hobbies e atividades criativas já foram associados a mais satisfação com a vida e bem-estar mental em pesquisas sobre o tema, como uma publicada em 2016 na revista Nature Medicine.

“Uma conclusão mais ampla é que vale a pena se dedicar menos ao lazer passivo e mais ao lazer ativo. Espero que a pesquisa incentive as pessoas a refletir sobre como distribuem suas horas ao longo do dia e sobre os benefícios de investir tempo em diferentes atividades.”

Dunigan Folk, pesquisador da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e coordenador do estudo What does a good day look like?: An interpretable machine learning approach to the American Time Use Survey