O hype da fé: Éden
Na Éden, moda urbana, fé e narrativa bíblica aparecem como partes de um mesmo projeto. Cofundada por João “Zoio” Vinícius, 23, a marca transforma referências sobre queda, redenção e reconexão espiritual em coleções de roupa. Mais do que se prender ao streetwear ou ao rótulo de marca cristã, usa roupas, etiquetas e símbolos como ferramentas… Ver artigo
Edson Silva
Na Éden, moda urbana, fé e narrativa bíblica aparecem como partes de um mesmo projeto. Cofundada por João “Zoio” Vinícius, 23, a marca transforma referências sobre queda, redenção e reconexão espiritual em coleções de roupa. Mais do que se prender ao streetwear ou ao rótulo de marca cristã, usa roupas, etiquetas e símbolos como ferramentas de identidade, comunicação e evangelização.
Quando e por que vocês criaram a Éden?
A Eden nasce de um sonho do Enzo, meu sócio, que acreditava que aquilo vinha de Deus. Quando nos aproximamos, entendemos que precisávamos tirar isso do papel. A ideia sempre foi criar uma marca que aproximasse de Cristo pessoas que normalmente não se enxergam dentro do universo religioso tradicional.
Como você define a marca hoje?
A Eden é uma marca guiada por propósito e narrativa. A gente não trabalha só roupa: trabalha mensagem, contexto e construção de identidade. Cada coleção nasce de uma ideia espiritual e tenta traduzir isso em produto, textura, modelagem e comunicação.

Que leitura de Brasil ela propõe?
A gente usa referências brasileiras, mas não tenta vender “brasilidade” como conceito principal. O foco é construir uma cultura celestial. Ainda assim, muita coisa vem daqui: natureza, bioma, textura, clima e até o jeito brasileiro de se vestir acabam entrando naturalmente na marca.
A Eden é uma marca de streetwear?
Não exatamente. Tem peças que conversam com streetwear, mas a marca é mais viva do que isso. Tem momentos mais oversized, outros mais alfaiataria. Existe influência da rua porque eu vim do Capão, mas não queremos ficar presos numa estética única.
“A gente entrega moda pra galera da igreja e a Palavra pra galera que só quer consumir moda.”
João “Zoio” Vinícius Brito
Em que momento a fé começou a fazer sentido dentro do trabalho?
Sempre fez. Antes mesmo da marca, a fé já aparecia na forma de trabalhar, na excelência, no cuidado e no processo. Hoje ela aparece também na construção das histórias. A gente nunca entrega um produto sem contexto ou significado.

Quando a religião vira roupa, estamos falando de fé, identidade ou estilo?
Principalmente identidade. A roupa não define quem é cristão, mas reforça uma mensagem e cria comunicação. Às vezes um detalhe pequeno, como um bordado em hebraico ou uma etiqueta, já gera conversa e aproxima pessoas da mensagem.
O público da Eden é majoritariamente cristão?
Hoje, não. Muita gente compra pela modelagem, pelo tecido ou pela estética. E isso faz parte da proposta. A gente entrega moda pra galera da igreja e entrega a Palavra pra quem chegou só pela roupa.
A relação dos jovens com a fé mudou?
Mudou bastante. Hoje existe um posicionamento mais aberto. A nova geração entende que dá pra expressar crença também através de comportamento, estética e roupa — sem precisar transformar isso em algo literal ou caricato.
