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O golfe é o novo skate?

Qual o elo perdido entre streetwear, skatistas, celebridades do esporte e uma cena golfista que começa a crescer no Brasil?

The Summer Hunter Staff

Uma das maiores transformações do golfe não aconteceu dentro dos clubes exclusivos frequentados por homens de negócio, mas fora deles. 

Nos últimos anos, skatistas, tenistas, pilotos de F1 e ídolos do basquete levaram a modalidade pra outros públicos — e, com eles, vieram novas marcas, novas comunidades e uma conversa sobre onde o golfe pode chegar.

“Golf is the new skateboarding” 

Quando atletas como Sean Malto, um dos maiores nomes do skate street, e Zion Wright, estrela da nova geração, passaram a dar suas tacadas, não demorou pra que o golfe se misturasse ao universo do skate — e pra muito além do esporte. A frase que resume esse movimento cultural já estampa roupas e shapes de skate na Paris Golf Gallery, showroom que une golfe e moda durante a Fashion Week na capital francesa e tem planos de estrear no Brasil.

Polos com a marca bordada e calças chino? Não só. 
O golfe entrou de vez no mercado streetwear com a chegada de marcas como a Malbon Golf, que surgiu em 2017 em Los Angeles. Fundada por Erica e Stephen Malbon, donos de um spa e da Frank151, revista de street style e agência criativa, tem clientes como o rapper Travis Scott — que é um jogador de golfe tão assíduo que lançou com a Nike um tênis Air Jordan adaptado pro esporte.

Por aqui, a cena ainda é tímida, mas já atrai novos olhares. Pra somar aos 110 campos de golfe espalhados pelo Brasil, que atendem 22 mil praticantes regulares, segundo a Confederação Brasileira de Golfe, surgem projetos como o Mulli, clube de membros voltado a encontros e experiências ligadas ao esporte. Criado em 2025 pelo empresário paulistano Felipe Scarpa, nome por trás de negócios como o restaurante Botanikafé, já reúne 400 associados em uma comunidade que organiza etapas na capital e no interior de São Paulo.

“Lá fora a comunidade do golfe tem campos públicos e já é um esporte cultural. No Brasil, ainda é sério, duro e burocrático, mas, justamente por isso, é um mar aberto, ainda com poucas pessoas tentando mudar essa imagem. Viemos pra romper isso.”

Felipe Scarpa, empresário e sócio do Mulli

O golfe começou a circular fora dos clubes e dos encontros de negócios também porque atletas de diferentes modalidades passaram a jogar regularmente — e a levar o esporte pra outros públicos. O que começou lá nos anos 90, com a fixação do astro do basquete Michael Jordan pelo golfe, segue vivo até hoje, quando o jogador da NBA LeBron James aparece treinando tacadas num comercial da Nike.

Pé no acelerador

Rafael Nadal, Carlos Alcaraz, Kaká e Rubens Barrichello são alguns dos muitos atletas que se renderam à modalidade, mas a Fórmula 1 levou essa relação mais a sério. A McLaren, uma das principais equipes da categoria, anunciou pro fim do mês o lançamento de uma divisão de equipamentos de golfe produzidos com tecnologia de ponta.

A nova geração

Seja pra desenvolver estratégias de jogo, seja pra descansar dos campeonatos, a paixão de ídolos do esporte pelo golfe ajudou a deixá-lo mais popular — inclusive entre os jovens. Nos EUA, depois da pandemia, quando muita gente descobriu o esporte em busca de uma atividade individual e ao ar livre, 71% das rodadas rolaram entre golfistas com menos de 50 anos; na Austrália, a adesão de jogadores com menos de 35 em 2025 cresceu 38%.

O preço dos clubes de golfe, dos equipamentos e o tempo dispensado em uma única partida ainda limitam quem pode praticar o esporte, mas a nova cena pode mudar isso. Enquanto a mensalidade em um desses clubes pode ultrapassar os R$ 3 mil, hoje já surgem campos onde não é preciso ser sócio pra praticar — no FPG Golf Center, em São Paulo, o “green fee”, que dá direito a jogar uma rodada, custa entre R$ 80 e R$ 130.