O corpo fala
Não é só pela palavra que expressamos sentimentos. Nosso corpo é testemunha de milhões de anos de evolução — guarda histórias, reage, responde. Quando essa linguagem silenciosa é interpretada pela arte, se transforma em poesia.
Manuela Stelzer
A gente pode até tentar esconder sentimentos e sensações, mas nem sempre o corpo deixa. Resultado de uma evolução de milhões de anos, ele conta nossa história em cada gesto e em cada postura.

Para o fotógrafo Marcelo Moreira, conhecido pelo nome artístico @celografia, corpo é também a maneira como nos colocamos no mundo e nos relacionamos com o outro — nossa linguagem silenciosa, biológica e social.


Inspirado pelos estudos do sociólogo e antropólogo francês Marcel Mauss, ele entendeu que as técnicas corporais são aprendidas, transmitidas por gerações e ressignificadas. “O corpo é arquivo e invenção: guarda a memória coletiva e, ao mesmo tempo, se abre às possibilidades do novo”, diz.

Pra além da sociologia, Marcelo quis registrar essa reflexão e interpretá-la por meio de imagens: corpos que se encaixam e se conversam, em constante comunicação com o que está em volta.


“Refletir sobre o corpo é reconhecer sua natureza mutável e poética: moldado tanto pelo fluxo da vida biológica quanto pela tessitura cultural que lhe dá sentido.”

Sobre o autor
Artista visual e fotógrafo, Marcelo Moreira é natural de Pintadas, no interior da Bahia, e cursa o Bacharelado Interdisciplinar em Artes na UFBA. Cresceu em meio à natureza e, desde cedo, aprendeu a observar o mundo com curiosidade e encantamento — o que o aproximou ao estudo da Biologia, que segue influenciando a maneira como compõe suas fotos.