O Carnaval de Salvador é sagrado
Mais do que trio elétrico e música alta, o Carnaval de Salvador é sagrado. É um momento de transmitir esse movimento cultural às novas gerações, nos som dos tambores e nas guias — longe dos holofotes, na intimidade.
The Summer Hunter Staff
Símbolo do borogodó brasileiro, o Carnaval é um dos motores culturais da capital baiana. Mas o que ganha espaço na mídia não reflete todas as nuances dessa festa plural e diversa, que vai muito além dos artistas que arrastam multidões, dos camarotes e da folia.


“Quis mostrar que o Carnaval de Salvador é bem mais que trio e música alta: é sagrado. As pessoas estão ali celebrando sua ancestralidade e sua fé”, diz o fotógrafo soteropolitano radicado em São Paulo Jordan Vilas Boas, que, a pedido da Adobe, voltou à sua cidade natal pra registrar o evento com o seu olhar.


A festa que acontece nesse bairro é, também, um momento de transmitir esse movimento cultural às novas gerações, nos som dos tambores e nas guias — longe dos holofotes, na intimidade. “Foi gostoso voltar a Salvador e me banhar dessa coisa que é minha. Sempre levo um pouco dos meus ancestrais e dos seus ensinamentos comigo”, diz Jordan. Colorida, intensa e plasticamente espetacular, a celebração no Pelourinho é uma pintura viva.


“Foi um trabalho em dupla, a cidade produziu, dirigiu e atuou, eu apertei o botão.”

Sobre o autor
Nascido no Subúrbio Ferroviário de Salvador, Jordan Vilas Boas, de 28 anos, fotografa desde os 15 anos de idade e sempre tentou compensar a falta de técnicas com um olhar mais apurado e sensível. Radicado em São Paulo, atua como fotógrafo de moda enquanto toca projetos autorais e oferece oficinas de ensaio fotográfico pra mulheres negras periféricas. Também é letrista e poeta.