O Nordeste além dos seus estereótipos
Os nordestinos são plurais demais pra caber na pequena caixa em que foram colocados no imaginário nacional. Que tal se aprofundar?
Adriana Setti
Forró, moqueca, chapéu de couro e festas de São João: isso também pertence à cultura do Nordeste, claro. O problema é limitar uma região tão diversa e plural aos mesmos símbolos de sempre.
Com o jornalista Octávio Santiago, pesquisador do preconceito contra os nordestinos, a gente traz uma PEQUENA amostra de como a capacidade criativa da região vai muito além de suas “tradições”.
Caldeirão musical
O forró, o frevo e o axé são ritmos considerados identitários. Mas, no som do Nordeste, também cabe o reggae do Maranhão (alô, Tribo de Jah), ao ponto de São Luís ser conhecida como a “Jamaica Brasileira”. Assim como cabem Lenine, com seu Grammy de Pop Contemporâneo; a mistura do afro com o jazz; o soul de Djavan e tantos outros.



Além da moqueca
Um ranking recente da Exame elegeu o Origem, em Salvador, como o melhor restaurante do Brasil: menu degustação sofisticado sem esquecer as raízes. E os queijos artesanais do Rio Grande do Norte são constantemente premiados em concursos na França, incluindo o coalho e o de manteiga.
Muito mais do que cobogó:
· A arquiteta pernambucana Janete Costa (1932-2008) já apontava pra valorização do Nordeste dentro do campo do design.
· O mobiliário dos potiguares André Gurgel e Felipe Bezerra, da Mula Preta, já levou o iF Design Award: o “Oscar” do design mundial.
· Leonardo Mota e Ellen Cajareico assinam bolsas que fogem do óbvio no Estúdio Matulão, de Fortaleza.
· A pernambucana Karla Batista, da Azulerde, com acessórios de pegada surrealista, segue inovando, livre de clichês.
