The Summer Hunter, o lado solar da vida

O Nordeste além dos seus estereótipos

Os nordestinos são plurais demais pra caber na pequena caixa em que foram colocados no imaginário nacional. Que tal se aprofundar?

Adriana Setti

Forró, moqueca, chapéu de couro e festas de São João: isso também pertence à cultura do Nordeste, claro. O problema é limitar uma região tão diversa e plural aos mesmos símbolos de sempre.  

Com o jornalista Octávio Santiago, pesquisador do preconceito contra os nordestinos, a gente traz uma PEQUENA amostra de como a capacidade criativa da região vai muito além de suas “tradições”.

Caldeirão musical

O forró, o frevo e o axé são ritmos considerados identitários. Mas, no som do Nordeste, também cabe o reggae do Maranhão (alô, Tribo de Jah), ao ponto de São Luís ser conhecida como a “Jamaica Brasileira”. Assim como cabem Lenine, com seu Grammy de Pop Contemporâneo; a mistura do afro com o jazz; o soul de Djavan e tantos outros.

As artes do Nordeste foram historicamente etiquetadas como regionais: isso é uma visão preconceituosa e limitante.
Literatura nordestina global
A atualização de Machado de Assis por João Almino, em Homem de papel.
Os conflitos familiares e psicológicos na visão de Marília Arnaud, em O pássaro secreto.
A relação entre pai e filho por Marcelino Freire, em Escalavra.
A prosa decolonialista de Micheliny Verunschk, em O som do rugido da onça.
O sertão próspero e feminino de Dia Bárbara Nobre, em Boca do mundo.
O Rio de Janeiro pela perspectiva de Martha Batalha, em Chuva de papel.
Reflexões sobre ser estrangeira, por Bruna Dantas Lobato, em Horas azuis.
Por que a gastronomia “nordestina” é tida como rústica?

Além da moqueca

Um ranking recente da Exame elegeu o Origem, em Salvador, como o melhor restaurante do Brasil: menu degustação sofisticado sem esquecer as raízes. E os queijos artesanais do Rio Grande do Norte são constantemente premiados em concursos na França, incluindo o coalho e o de manteiga.

Muito mais do que cobogó:

·  A arquiteta pernambucana Janete Costa (1932-2008) já apontava pra valorização do Nordeste dentro do campo do design.

·  O mobiliário dos potiguares André Gurgel e Felipe Bezerra, da Mula Preta, já levou o iF Design Award: o “Oscar” do design mundial.

·  Leonardo Mota e Ellen Cajareico assinam bolsas que fogem do óbvio no Estúdio Matulão, de Fortaleza.

·  A pernambucana Karla Batista, da Azulerde, com acessórios de pegada surrealista, segue inovando, livre de clichês.

Cinema plural: Além do filtro alaranjado e do mandacaru em primeiro plano.
·  Kleber Mendonça Filho, com o urbano Aquarius, e o thriller já premiado em Cannes, O agente secreto.
·  Karim Aïnouz em Praia do futuro e O céu de Suely.
·  Claudio Assis, com Piedade e tantos outros.