The Summer Hunter, o lado solar da vida

Não sabe ou não quer fazer?

Errar de propósito costuma funcionar melhor que qualquer desculpa.

Fernanda Nascimento

Imagine a cena: alguém se dispõe a passar um café, mas não sabe onde está o pó nem o coador. Ou, quando encontra o que precisa, faz uma bebida intragável porque “não sabe a receita”. 

Troque o café por qualquer trabalho, repita algumas vezes e você pode estar diante da incompetência estratégica. 

Aqui, a gente explica por que o talento de errar na hora certa pesa tanto pra quem precisa acertar.

É errando que se aprende

Ninguém nasce sabendo tirar manchas das roupas, fazer uma lista de compras impecável e escolher um bom presente pra professora das crianças — ou lembrar de tudo isso. Mas existe uma grande diferença entre não conseguir aprender algo e simplesmente não se esforçar pra cumprir tarefas e responsabilidades que exigem paciência.

A diferença está em quem paga o preço. Quando o erro é genuíno, ninguém sai ganhando. Quando é estratégico, quem perde é sempre a outra pessoa — aquela que resolve os B.Os e assume a sobrecarga.

Incompetência estratégica

A incompetência estratégica é uma arma muito usada pelos homens pra manipular a divisão de trabalho doméstico e de cuidado. Quase todo mundo já ouviu o avô, o pai, o tio, o amigo ou mesmo o companheiro incomodar uma mulher com dezenas de perguntas, muita lentidão e uma boa dose de má vontade até ela dizer “então dá aqui que eu mesma faço”.

Não é erro, é padrão
. Pedir instruções passo a passo pra uma tarefa que já realizou várias vezes.
. Fazer só uma parte do trabalho (“fui no mercado, mas esqueci o leite”).
. Usar uma falha no passado como desculpa pra nunca mais tentar. 
. Culpar quem pediu ajuda por “não ter ensinado direito”.
Fingir incompetência pra se livrar das responsabilidades não é um problema só dentro de casa. No escritório, o disfarce muda de forma. 
Como nem sempre pega bem dizer “não sei fazer”, vale atrasar, repetir erros ou entregar um relatório pela metade pro colega porque ele “é melhor nisso” — e, de preferência, ainda levar o crédito.

“Em posições de liderança, é mais comum que um homem negligencie sua equipe, e outra funcionária acabe compensando essa falha. Espera-se que as mulheres assumam o papel de cuidado, enquanto eles são desculpados por ‘não levarem jeito’ e ficam livres pra concentrar seus esforços em outras tarefas.”

Melanie Ho, consultora organizacional e autora de Beyond Leaning In: Gender Equity and What Organizations are Up Against, em entrevista ao HuffPost

Nem todo erro

Assim como tem quem não faça nada certo por querer, há quem ache tudo errado se não for do seu jeito. Pra quem gosta de controlar, é preciso pensar dez vezes antes de corrigir, refazer ou assumir a tarefa alheia. Pode parecer ajuda, mas às vezes você está tirando do outro a chance de aprender do seu jeito, no próprio tempo.