The Summer Hunter, o lado solar da vida

Na feira

No bairro de Água de Meninos, na Cidade Baixa de Salvador, a Feira de São Joaquim é um verdadeiro tesouro cultural e histórico, que nutre a cidade em todos os sentidos.

Dandara Fonseca

Uma feira pode ter diferentes cores, cheiros e sabores, mas uma coisa é certa: é um retrato vivo da cultura local. De norte a sul do país, esse espaço faz parte do cotidiano de grande parte dos brasileiros não só como espaço de compras, mas também de encontro, troca e convivência.

Na feira | fotos de Amanda Tropicana

Em Salvador, a maior e mais marcante é a Feira de São Joaquim, no bairro de Água de Meninos, na Cidade Baixa, às margens da Baía de Todos-os-Santos. Parte de uma dinâmica comercial que ocupa a região há mais de 300 anos, ela oferece desde peixes, frutas, verduras e temperos até artesanatos, utensílios e itens ligados a rituais de religiões de matriz africana.

“A Feira de São Joaquim nutre a cidade, não só de alimentos, mas de rituais. Pra mim, é um universo que envolve várias dimensões: religiosidade, afetividade e memória”, conta a fotógrafa Amanda Tropicana (@amandatropicana), que registra esse espaço desde 2011 e acompanha de perto as transformações que acontecem ali.

Muitos dos lugares fotografados por Amanda já não existem fisicamente — permanecem apenas nos registros e nas lembranças de quem frequenta —, mas a Feira de São Joaquim segue mais viva do que nunca.

Foto: Amanda Tropicana

“É um lugar que atravessa a história da cidade, mas também histórias pessoais, e revela as transformações do tempo. Ainda assim, segue como um espaço de resistência — especialmente pra população negra”, completa.

Sobre a autora

Mulher negra e de candomblé, Amanda Tropicana nasceu no Rio de Janeiro e foi criada em Salvador — cidade que despertou sua paixão pela fotografia. Desde 2005, ela se dedica a retratar a cultura afro-brasileira e o cotidiano da população negra. Foi vencedora do 1º lugar na categoria “Ancestralidade e Representação” do 9º Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger (2023) e também premiada no VIII Salão de Fotografia da Marinha do Brasil (2015).