The Summer Hunter, o lado solar da vida

Monja Coen responde: como ser feliz (e não sentir culpa por isso) em um mundo em crise?

Um papo exclusivo com a escritora e fundadora da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil.

Adriana Setti

Célebre por seus ensinamentos espirituais sobre equilíbrio e transformação, além de autora de best-sellers, a Monja Coen Roshi conversou com o The Summer Hunter sobre como construir a felicidade em tempos acelerados e turbulentos, marcados por diversas crises e pela comparação constante gerada pelas redes sociais.

Dá pra ser feliz em um mundo hiperconectado?

Segundo Monja Coen, estamos vivendo um momento histórico da humanidade, marcado por novas tecnologias e acesso imediato a muitas informações. Nesse cenário, a busca da felicidade passa pelo esforço de não se comparar a outras pessoas, apreciar a si e a sua própria vida, desenvolver a capacidade crítica e fazer escolhas adequadas que possam beneficiar o maior número de seres.

“Ser feliz não significa exatamente estar sorrindo o tempo todo e muito menos ganhar dinheiro, objetos, seguidores, poder e fama. É um estado íntimo de contentamento com a existência.”

Monja Coen

Confiar na transformação
A autora de Mãos em prece e Aprenda a viver o agora adverte sobre a importância de não se deixar enganar por sua própria mente, nem pela propaganda ou aparência de bem-estar. E aponta um caminho: procurar em si a alegria de viver e de aprender, mesmo com as doenças e as aparentes perdas, confiando no processo incessante de transformação.

“Neste mundo de guerras, violências, abusos, discriminações preconceituosas e catástrofes naturais, precisamos encontrar o eixo de equilíbrio. Um eixo axial físico mesmo, alinhando ossos da coluna, do tórax, do pescoço e da cabeça. Respirar conscientemente. Perceber nossas oscilações de humor e escolher nossas respostas às provocações do mundo.”

Monja Coen

Como não sentir culpa por ser feliz?

· Cultivar a capacidade de compreender e compartilhar conhecimentos e bens.

· Reconhecer a lei da causalidade, a lei do carma e saber que todos passamos por dificuldades, mas que podemos atuar pra minimizar dores e sofrimentos. 

· Agir pra criar causas e condições de bem-estar a todos os seres.

Sem rancores e sem vinganças, cada pessoa pode se tornar um átomo de paz e de harmonia.

Quando você se transforma, o mundo se transforma: 

→ Realizar trabalhos voluntários e esforços comunitários pra minimizar a miséria e arrecadar meios de sobrevivência digna. 

→ Escrever, falar, cantar e declamar textos que sejam inspiradores de mudanças e transformações.

→ Procurar a cura dos estados mentais alterados pessoais e coletivos. 

→ Respeitar a nós em nossas múltiplas formas. 

→ Amar e cuidar com ternura, até mesmo daqueles que nos possam fazer mal. 

Uma visão otimista

Monja Coen acredita que o despertar da consciência de toda humanidade está ocorrendo —  caso contrário, perderemos as condições de vida humana na Terra.  Segundo ela, nosso DNA quer sobreviver e, por isso, está nos estimulando a perceber que não somos o centro da vida e que temos condições de atuar em harmonia com outras pessoas e outras áreas do conhecimento.