The Summer Hunter, o lado solar da vida

Por que precisamos de mais iniciativas como a Paulista Aberta?

Como as ruas abertas às pessoas tornam as cidades mais humanas e amigáveis.

Adriana Setti

Há 10 anos, o programa Paulista Aberta abre a avenida mais icônica de São Paulo para as pessoas, ao bloquear o acesso de carros e outros veículos motorizados aos domingos e feriados.

A iniciativa é um exemplo poderoso de como entregar as ruas às pessoas pode trazer benefícios e melhorar a qualidade de vida na cidade.

Junto com o Instituto Caminhabilidade, a gente explica por que precisamos de mais projetos desse tipo.

Paulista Aberta em números
 
2,7 km de avenida com 129.600 m2 = 18 campos de futebol.
 
89% dos frequentadores visitam o programa com regularidade.
 
25% dos habitués vão à Paulista dois domingos por mês.
 
A maioria passa entre 2h e 3h por lá.
 
Fonte: “Avaliação de Impacto da Paulista Aberta na Vitalidade Urbana” (FAU/UFRJ, ITDP Brasil, Bike Anjo, Corrida Amiga e iCS)

Um pouco de história

Com o intuito de manter a rua como um lugar de brincar, ao menos aos domingos, São Paulo foi pioneira ao implantar, nos anos 1970, a política pública chamada “Ruas de Lazer”, que segue ativa até hoje. Moradores podem solicitar que suas ruas locais e residenciais sejam abertas pro lazer aos domingos.

Exemplos na América Latina pra dar caminhabilidade a cidades que foram planejadas priorizando os carros:

·  Bogotá abre mais de 120 km de rotas temporárias aos domingos e feriados e criou um calçadão permanente na Carrera Séptima, no centro da cidade.

·  Na Cidade do México, o “Muévete en bici” abre mais de 50 km de vias aos domingos e feriados.

Impacto cultural

Muitos artistas vão à Paulista mostrar a sua arte e constroem seu público por lá. Em uma caminhada pela avenida é possível curtir trio de forró, música originária boliviana, apresentação de sapateado, grupos de rock, dança, mágicos, entre outros talentos. Tem até gente que já ficou famosa, como o Porquinho da Paulista (@joow.j) e os cantores Kacá Novais (@kacanovais) e Gisele Lira (@agiselelira), que foram parar no The Voice.

Benefícios à saúde:

·  A qualidade do ar melhora na cidade como um todo quando uma grande avenida fica sem carros, mesmo temporariamente.

·  A poluição sonora também é reduzida, mesmo com as diversas caixas de som.

·  É um estímulo pra que mais gente pratique alguma atividade física.

·  Abre espaço pra encontros e novas conexões, o que traz benefícios à saúde mental.

Impacto econômico

O projeto Paulista Aberta fez crescer o número de estabelecimentos de alimentação e de vendedores ambulantes ao longo da avenida. E a maioria dos que já existiam (66%) afirmou ter percebido um aumento nas vendas após o começo do programa. As vendas aos domingos representam cerca de 20% do faturamento dos comerciantes e, em alguns casos, chegam a 50%.

Fontes: levantamento do Instituto Caminhabilidade e “Avaliação de Impacto da Paulista Aberta na Vitalidade Urbana” (FAU/UFRJ, ITDP Brasil, Bike Anjo e Corrida Amiga, com apoio do iCS)

Ruas abertas promovem cidades mais caminháveis.

A caminhabilidade garante ambientes seguros, confortáveis e atraentes pra estar nas ruas a pé.

Cidades mais caminháveis são melhores em aspectos sociais, políticos, econômicos e ambientais.

Além disso, são mais justas e inclusivas, pois são melhores pra mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência.