Mais cor, por favor
Cenários desbotados, roupas minimalistas, carros apagados, casas em tons neutros… O mundo está ficando cinza, e a fotógrafa Marcella Saraceni encontrou um nome pra isso: cromofobia.
Manuela Stelzer








Você reparou que o mundo anda ficando mais cinza? Décadas atrás, as ruas eram cheias de carros coloridos, a moda parecia mais alegre e até os banheiros eram decorados com azulejos cor-de-rosa e verde-abacate. Hoje, basta caminhar pelas grandes metrópoles e olhar ao redor: looks minimalistas, carros pretos e prédios espelhados…
Foi da inquietação diante de uma paleta cada vez mais neutra que a fotógrafa Marcella Saraceni criou o ensaio “Cromofobia”. Depois de uma viagem ao Pará, ela voltou encantada pelas cores — que contrastavam com a estética “desbotada” que a incomodava no dia a dia.
“Por isso, quis criar imagens que recuperassem a cor como algo vivo, físico e quase corporal”, explica. “Me interessa pensar a cor e as texturas como parte da identidade visual brasileira. Especialmente num momento em que muitas imagens parecem buscar uma neutralidade global, que vem de um olhar colonizado.”
“Quando encontrei o conceito de cromofobia, essa desconfiança histórica em relação à cor, senti que traduzia muito bem a minha inquietação.”
Marcella Saraceni, fotógrafa
Sobre a autora
Marcella Saraceni é fotógrafa, diretora criativa e poeta. Baseada no Rio de Janeiro, atua na cobertura fotográfica da Fundação Nacional de Artes, colabora com projetos editoriais e audiovisuais e é criadora do podcast “Poesia em Gotas”. Em seus ensaios, ela investiga o corpo, a memória e as histórias de quem é retratado, buscando revelar os mistérios e encantamentos do cotidiano.