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Localização em tempo real: cuidado, praticidade ou controle?

É só desbloquear o celular pra saber onde amigos, familiares e outras pessoas próximas estão. Mas até que ponto isso faz sentido?

Dandara Fonseca

Já se tornou quase consenso a importância de compartilhar a localização ao ir em um date, uma festa ou um bloco de Carnaval. 

O que mudou é que cada vez mais gente mantém essa informação visível o tempo todo, por meio de apps como o Buscar (disponível em dispositivos Apple) e o Google Maps.

Será que esse é um hábito necessário nos dias de hoje?

Mais segurança
Infelizmente, nunca sabemos quando algo ruim pode acontecer. Manter a localização ativa garante que alguém tenha acesso a onde você está em tempo real — seja numa ida rápida à esquina, seja num rolê mais longo. E, em caso de celular perdido ou esquecido, também facilita a tentativa de recuperação.
Quem nunca? 
— Avisa quando chegar em casa, por favor.
— Aviso sim, pode deixar.
— Tá tudo bem????
— Puts, esqueci. Cheguei faz um tempão.

Praticidade 

Ter a localização de amigos e familiares poupa as clássicas mensagens de “onde você está?” e as ligações em sequência. Em shows, festas ou blocos cheios —  quando o sinal nem sempre ajuda — também evita os desencontros.

A salvação de quem é pontual:
Só sair de casa depois de confirmar que o amigo que sempre “está chegando” realmente está a caminho.

Tudo sob (o meu) controle

Esse comportamento também reflete o desejo crescente de controle da sociedade. A gente acompanha o trajeto da compra online, quantas calorias gastamos no treino, se dormimos bem. A localização entra nesse pacote de monitoramento constante e levanta a pergunta: cuidado ou excesso?

Compartilhar a localização por tempo indeterminado não é um problema. A questão está em como isso é usado.  Sem maturidade e bom senso, cuidado pode virar vigilância — e praticidade, cobrança.
Sinais pra ficar de olho
“Por que vocês saíram e não me chamaram?”
“Onde você passou depois do trabalho?”
“Não gostei de não ter sido avisado.”
“Você sempre faz isso sem falar comigo.”

Pelo direito de sumir (um pouco)

Desligar a localização, atrasar uma resposta ou simplesmente não avisar cada passo não é descaso. Autonomia também faz parte de relações saudáveis — inclusive das mais íntimas.