Isso não é um álbum pop
Com Lux, Rosalía reafirma que música pop também é arte. Mas será que todo disco precisa vir acompanhado de um grande conceito?
Manuela Stelzer
A Motomami chegou chegando: em seu novo álbum, a espanhola — que é um dos nomes mais interessantes da música atual — canta em catalão, latim, japonês, alemão e outras nove línguas, incluindo o português.
Lux mistura música clássica, flamenco, fado e pop em uma estética de adoração e drama, cheia de referências religiosas, mostrando como o pop pode ser ousado e artístico.
Mas fica a dúvida: todo disco precisa ser inovador e conceitual pra ser relevante?

Raízes
Rosalía não foi a primeira nem será a última. Desde os anos 1970, os “álbuns conceituais” já eram uma realidade na música, principalmente entre os rockeiros: os trabalhos elaborados do Pink Floyd e as narrativas teatrais de David Bowie estão aí pra provar.


Nem sempre é tão profundo
Algumas vezes, o fio condutor pode ser mais simples do que parece. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, um dos discos mais icônicos da categoria, nasceu de um mal-entendido: Paul McCartney achou que um amigo, ao pedir “salt and pepper”, tinha dito “sargent pepper”.


“O legal desses álbuns é que eles são imersivos, impactantes e tendem a deixar cenas e letras marcadas no imaginário de quem escuta. Fora que o disco funciona melhor quando você o ouve por completo, do início ao fim.”
Alexandre Giglio, criador do Minuto Indie, no canal do Youtube
O básico que funciona
Mas nem todo álbum precisa reinventar a roda ou mudar o mundo da música. Às vezes, pode ser só um bom disco pop, com várias faixas dançantes e despretensiosas, sem uma narrativa específica amarrando tudo. Isso não o torna, necessariamente, menos relevante que um projeto conceitual.