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Iemanjá pra além de 2/2

A comemoração antecipada da comunidade Solar do Unhão, pra que quem trabalha na festividade mais conhecida também possa prestar suas homenagens. Em 2026, acontece hoje, 1º de fevereiro.

The Summer Hunter Staff

Todos os anos, no dia 2 de fevereiro, o bairro do Rio Vermelho, em Salvador, se enche pra celebrar Iemanjá, a Rainha dos Mares. Mas, no fim de semana anterior, uma pequena comunidade chamada Solar do Unhão, instalada às margens da Baía de Todos os Santos, faz uma comemoração antecipada pra que as pessoas que trabalham na festividade mais conhecida possam prestar suas homenagens. Em 2026, ela acontece hoje, 1º de fevereiro.

Iemanjá pra além de 2/2

Além da data alternativa, a festa tem outra particularidade: no lugar das oferendas tradicionais, que podem conter vidros e plásticos, Iemanjá recebe presentes feitos apenas de materiais biodegradáveis, pra evitar a poluição dos mares. Por isso leva o nome de Presente Ecológico pra Iemanjá.

Tudo começou depois que um grupo de pescadores encontrou um manequim boiando na Baía de Todos os Santos. Apelidado de “sereia”, serviu de base pra criação de uma escultura que se tornou símbolo da celebração. Desde então, todos os anos, os muros da comunidade ganham ilustrações e pinturas inspiradas na figura.

A fotógrafa soteropolitana Helen Salomão foi apresentada à cerimônia em 2016, por dois amigos próximos à comunidade.

“Lembro bem de como me senti tocada ao participar do cortejo pela primeira vez. O presente é uma dádiva pra quem participa. Venho documentando essa experiência porque acredito que é uma das formas mais conscientes de celebrar e cultivar o sagrado”, conta.

Pra ela, a festividade também é um lembrete de que “se envolver positivamente com a natureza é uma das maneiras mais belas de cultuar os Orixás”. “Além disso, o presente é construído a partir da coletividade, preservando tradições e conhecimentos por meio de ritos”, completa.

Sobre a autora

Helen Salomão é uma artista multidisciplinar que se dedica a práticas como a fotografia, videoarte, escrita e instalação. Nascida em Salvador, sua pesquisa discute múltiplos modos de existência a partir da relação entre corpo-espírito, identidade, saberes, nutrição, tempo, espaços e memórias.