The Summer Hunter, o lado solar da vida

I Love LA e a mentira de que todo mundo está com a vida resolvida

Na Internet, geral parece ter tudo em ordem na carreira, no amor, no abdômen… Mas a real é que a maioria dos Zilennials só está tentando sobreviver ao começo da vida adulta — e a nova série da HBO mostra exatamente isso.

Thais Cezare

I Love LA acompanha um grupo de amigos navegando pelos desafios dos vinte e muitos: ambições profissionais, relacionamentos conturbados, cultura da Internet e dinâmicas de amizade complicadas. 

Entre deboche e crise existencial, a série expõe carências, egos inflados, um otimismo cego e a bagunça emocional de quem está constantemente tentando, mas não necessariamente conseguindo.

Ansiosa e falida, mas sempre bem-vestida 🥲🤡

Se todas as nossas escolhas —como nos vestimos, o que assistimos, o que ouvimos, quais lugares frequentamos — simbolizam códigos que transmitem mensagens, em I Love LA as personagens deixam claro que a vida pode até estar um caos, mas o estilo jamais refletirá isso. 

“O que tá acontecendo com a minha carreira?”
Alani é nepobaby e não trabalha — mas, claro, ocupa um cargo-fantasia na empresa do pai bem-sucedido. 
Maia é expert em puxar saco da chefe egóica enquanto espera por uma promoção que nunca chega. 
Charlie vê seu valor social despencar depois de ser demitido de um trabalho que, pra além de grana, rendia prestígio. 
E Tallulah nem carreira tem, mas só sabe disso quem a conhece de verdade, já que nas redes a gata sustenta a fantasia da vida perfeita — fake it till you make it, né?
Em todos os casos, a real é: 
ninguém sabe o que está fazendo e nada é o que parece.

Tudo uma zona e ainda nem tocamos nos relacionamentos amorosos:

Sexo protocolar

→ Joguinhos de desinteresse. 

→ Atração fora da relação.

→ Mentiras e mais mentiras (alô, Jeremy).

→ A delicada equação entre ciúme e projeção. 

Maturidade emocional? Esquece. 

E não é que no campo da amizade algo melhora

A comparação de uns com os outros rola solta dentro do grupo, comentários passivo-agressivos também. O mood é mais ou menos assim: seus amigos podem até mostrar apoio, mas talvez falem mal das suas escolhas e atitudes assim que você der as costas. 

Não é difícil se reconhecer ou enxergar alguém do seu círculo em cada personagem —e talvez seja por isso que a série tem feito tanto sucesso.

A gente busca identificação até mesmo quando assiste TV.
Não dá pra negar que fazemos parte de uma sociedade extremamente autocentrada, dá?