FUNK: a música da favela agora é global
Por que o ritmo que nasceu nos morros cariocas é a nova marca sonora do Brasil no exterior.
The Summer Hunter Staff
Quando artistas como Anitta, Ludmilla e Tropkillaz são destaque no festival californiano Coachella em anos (quase) consecutivos, é sinal de que o funk brasileiro já se firmou no mainstream global.
Influenciando o hip-hop, o reggaeton, o trap e o pop mundo afora, o ritmo que nasceu nos morros cariocas vem se destacando tanto quanto o samba e a bossa-nova como identidade musical brasileira.
Do Rio de Janeiro pro mundo
O funk carioca surgiu no fim dos anos 1980, inspirado pelo Miami Bass, um subgênero do hip-hop. Ganhou identidade própria ao acelerar as batidas pra mais de 130 BPM e foi se reinventando ao longo dos anos. Dos bailes nas favelas do Rio, nasceram movimentos icônicos, como o passinho e a rebolada, e uma cultura que hoje influencia a moda, a dança e até a estética do pop internacional.
O ritmo está em toda parte: em Paperwork, de Kanye West. Também se misturou a tendências de moda como o Brasilcore e virou trilha sonora dos verões no Hemisfério Norte, graças a músicas como Bum Bum Tam Tam, de MC Fioti. Do VMA de 2023 com Karol G às passarelas da alta-costura e vídeos virais, o baile funk está conquistando o topo.
Fonte: trecho de “Brazilian Funk Is Going Global. Why Aren’t More Artists Breaking Through?”, da revista Rolling Stone, dos EUA
Caminho inverso
Anitta precisou cantar em espanhol e inglês pra estourar fora do Brasil e abrir caminho pro funk no exterior. Mas, recentemente, surfou a onda que ajudou a criar com o explosivo Funk Generation.
Por que o funk está pronto pro mundo?
Tem diversidade regional, mas fala uma linguagem universal: a batida irresistível.
Funciona tanto no underground quanto no pop mainstream.
Se conecta com outros movimentos que revelam a dureza da vida nas periferias.
Carrega dança, moda, gírias, estética visual — um ecossistema cultural inteiro.
É festa e denúncia, sensualidade e violência: uma combinação irresistível e autêntica.
Parcerias entre funkeiros brasileiros e artistas latinos vêm mostrando como o ritmo dialoga naturalmente com o reggaeton, o trap, a cumbia e outros sons urbanos do continente. Ao se misturar a esses gêneros, o funk se conecta a um mercado cultural maior e reforça uma identidade compartilhada: a de uma América Latina que transforma suas periferias em centros criativos globais.
