The Summer Hunter, o lado solar da vida

Por que a vida dos outros incomoda você?

O filme “O Convite” nos leva a questionar os motivos pelos quais a liberdade, o prazer e as escolhas alheias mexem tanto com a gente.

Ricardo Moreno

No filme dirigido e estrelado por Olivia Wilde, O Convite, um casal em crise (Olivia e Seth Rogen) recebe, pra jantar, os vizinhos do andar de cima. A liberdade sexual dos convidados, interpretados por Penélope Cruz e Edward Norton, desorganiza a noite e expõe desejos, ressentimentos e frustrações que os anfitriões mantinham sob controle.

Quando a vida alheia parece mais interessante, fica difícil ignorar o que está faltando na nossa.

Cena do filme "O Convite"

A casa está pronta. O quarto do casal, não.

No filme, quase todo o apartamento foi reformado, menos o quarto de Joe e Angela (Seth e Olivia). O espaço mais íntimo da casa continua sem definição, enquanto as áreas sociais parecem impecáveis. Uma imagem bastante direta de relações que investem na aparência de estabilidade, mas deixam inacabado justamente aquilo que ninguém de fora vê.

Observar o que nos desestabiliza ajuda a entender os limites que construímos pra própria vida.
Intimidade precisa de duas pessoas. Inteiras.
Dividir a casa, a rotina e os planos não é sinônimo de intimidade. Uma relação saudável também se constrói com diferença, curiosidade e espaço pra que cada pessoa continue existindo além do casal. Durante as brigas, os espelhos do apartamento fragmentam Joe e Angela: embora estejam lado a lado, eles raramente parecem ocupar o mesmo plano.

Nenhuma relação consegue sustentar por muito tempo a responsabilidade de preencher todas as faltas de duas pessoas. E muitas frustrações pessoais acabam sendo colocadas nessa conta:

→ A insatisfação com o trabalho.

→ O medo de mudar.

→ O tédio com a própria rotina.

→ A sensação de estar vivendo abaixo do próprio desejo.

“As pessoas se esquecem de que merecem mais.”

Piña, personagem de Penélope Cruz

Merecer mais também exige perguntar o que cada pessoa continua aceitando por medo, comodidade ou costume. Reconhecer uma falta pode doer, mas também devolve movimento a uma vida mantida no automático.
Tudo é perigoso, tudo é divino, maravilhoso 

Monogamia, relação aberta e poliamor não são remédios contra ressentimento, mentira, posse ou solidão. Mas o que sustenta uma relação?

• Acordos claros e possíveis de cumprir.
• Honestidade sobre desejos e limites.
• Abertura pra rever escolhas.
• Responsabilidade pelo efeito de cada decisão.