The Summer Hunter, o lado solar da vida

Eu consigo te ver feliz

Em um país marcado pela desigualdade social e racial como o Brasil, o litoral surge como espaço acessível de lazer e respiro pra meninos negros.

Manuela Stelzer

Em um país marcado por desigualdades raciais profundas como o Brasil, o lazer é um direito frequentemente negado a meninos negros. Nesse cenário, nossa imensa costa litorânea se torna um convite: um espaço de descompressão acessível a esses meninos.

É ao fotografá-los pulando no mar que Wendy Andrade enxerga a esperança de um voo livre, como se o salto fosse uma reivindicação por uma infância e adolescência mais leve.

As imagens do fotógrafo têm como principais cenários a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e a Baía de Todos os Santos, na Bahia, locais que já foram portos de chegada de pessoas escravizadas. Mas Wendy escolhe registrar esses meninos não pela lente da dor, e sim pelo instante em que brincam, sorriem e se lançam à água.

Série de imagens que também virou livro, Eu consigo te ver feliz parte da metáfora de Ícaro, personagem da mitologia grega que, ao ganhar do pai um par de asas coladas com cera, é orientado a não voar alto demais. Atraído pelo sol, ignora o aviso, tem as asas derretidas e cai no mar.

“Assim como Ícaro, esses meninos sonham com o reino da liberdade e, ao alçarem seus voos, infelizmente muitos terminam no chão. Mas insistem em enxergar o mar como possibilidade de vida e o céu como possibilidade de sonhos”, explica o fotógrafo. “Entre o céu e o mar, eu consigo vê-los felizes.”

Sobre o autor

Wendy Andrade é fotógrafo e artista visual. Sua militância é a beleza: por meio de fotos que exploram a intimidade, a sensibilidade e a abstração — geralmente acompanhadas de textos e poesias — ele busca registrar o imperfeito, o espontâneo e a ver felicidade possível.