Comprar de livrarias independentes é mais legal
Elas têm curadoria, charme, café, livreiros de carne e osso e são muito mais sustentáveis pro mercado editorial.
Manuela Stelzer
Diferente daquele e-commerce cujo dono quer colonizar a Lua, as livrarias físicas e independentes ajudam a movimentar toda a cadeia do livro.
Às vezes, essa forma de consumir pode ser um pouco mais cara e trabalhosa. Mas, em troca, você garante que, do autor ao capista, todos os envolvidos na produção possam ser remunerados de maneira mais justa.
Fora que muitos desses ambientes são um passeio delicioso, com comes e bebes, poltronas confortáveis, estantes belíssimas e gente interessante ao redor.
A morte das redes
Em um passado não muito distante, grandes redes especializadas em livros estavam nos shoppings e nas ruas de boa parte do território nacional. Hoje, restam pouquíssimas pra contar história. Nesse cenário, com a venda on-line e os e-books se consolidando, as livrarias independentes precisaram se reinventar.
“Tivemos um aumento de pequenas livrarias que foram descobrindo como sobreviver nesse caos. Pela curadoria, pelo trabalho dos livreiros, por montar clubes de leitura, por fazer eventos, elas são muito mais sustentáveis e, de fato, constroem uma comunidade leitora.”
Ana Lima Cecílio, ex-curadora da Flip e editora-executiva de ficção nacional da Record, em entrevista ao O Povo (CBN)

Livros escolhidos a dedo
Em um mundo de opções infinitas, a curadoria humana se torna ainda mais valiosa, bem como a sensação de estar em um lugar onde você encontra a sua turma. Livrarias de nicho são o ponto de partida de comunidades. Diásporas e migrações, autoras mulheres, títulos infantojuvenis, só clássicos, obras sobre futebol, música, arquitetura: tem livraria pra todo leitor.
Enquanto grandes plataformas promovem os best-sellers, estantes recheadas de títulos menos conhecidos surpreendem o leitor aberto a novas aventuras.

“As livrarias contribuem com as suas comunidades. Elas criam um espaço pra amar a literatura.”
Danny Caine, livreiro e poeta, autor do livro Como resistir à Amazon e por quê



Boas livrarias
São Paulo
Bibla — Tem clubes de leitura, lançamentos e um cardápio divino de doces e salgados.
Barrilete — No Bexiga, especializada em futebol (até transmite jogos).
Gato sem Rabo — Vende apenas livros escritos por mulheres e está com novo endereço: depois de quatro anos na Amaral Gurgel, se mudaram pro térreo do Edifício Renata.
Megafauna — No Copan e no Cultura Artística, um acervo que celebra a diversidade de debates e editoras.
Eiffel — Livros belíssimos de arquitetura, urbanismo, design e paisagismo.
Simples — Fica na Bela Vista e junta festa, livro e resistência, tudo num lugar só.
Livraria da Tarde — Aconchego, cheiro de café fresco e de livro novo, em Pinheiros.
Aigo — No Bom Retiro, é focada em literatura sobre diáspora e migrações.
Casa Cosmos — Linda livraria infantil com curadoria de produtos de pequenos artesãos locais, palestras, cursos, comidinhas, atividades e eventos.
Brasília
Livraria Circulares — Tem encontros mensais de poesia e lançamentos de livros.
Platô Livraria — São 3,5 mil títulos no acervo, cardápio enxuto e um jardim pra se demorar.
Salvador
Midialouca — 17 mil itens, entre livros, HQs, mangás, discos de vinil, CDs e DVDs. No Rio Vermelho.
Livraria do Glauber — Na Praça Castro Alves, promove diversos eventos, de lançamentos de livros a conversas com autores.
Florianópolis
Livraria Latinas — Curadoria especializada em gênero, infância, questões étnico-raciais, direitos e literatura.
Fortaleza
Substânsia — Dentro do centro cultural Dragão do Mar, é também editora e organiza diferentes eventos.


Goiânia
Livraria Palavrear — Em um belo casarão, tem um quintal com bancos e árvores nos fundos e organiza diferentes eventos literários.
Belém
Travessia Livraria — Um casarão do século 19 reformado, que além dos muitos livros, tem cursos, café e lançamentos de livros.
Curitiba
Telaranha — Editora e livraria, conta com café e clubes de leitura.
Arte e Letra — Também é editora e livraria, tem prensa manual e edições caprichadas.
Belo Horizonte
Quixote — Tradicionalíssima, há mais de 20 anos recebe autores nacionais e internacionais. A curadoria é focada em literatura, poesia e humanidades.
Jenipapo — Um ponto de encontro pra quem gosta de literatura.
Livraria da Rua — Música ao vivo na porta, muitos livros, café e eventos.
Livraria Aluá — Colorida, tem uma rede, varanda e estantes recheadas de livros pra crianças.
Rio de Janeiro
Livraria Pulsa — Dedicada exclusivamente à temática e autorias LGBTQIAP+, foi itinerante por alguns anos e agora se prepara pra abrir a própria loja. Segue com o clube de leitura e vendas pelo Instagram.
Folha Seca — Na Rua do Ouvidor, com curadoria carioquíssima, samba na porta e boteco ao lado.
Casa da Árvore — Pequenina e charmosa, na Tijuca.