The Summer Hunter, o lado solar da vida

Com quais amigos você vai morar na velhice?

Com o rápido envelhecimento da população e cada vez menos gente tendo filhos, cresce o número de amigos que decidem viver juntos essa fase da vida.

Dandara Fonseca

“Quem vai cuidar de mim na velhice?”

O número de pessoas idosas no Brasil dobrou em menos de 20 anos. E, em 2025, a taxa de fecundidade chegou ao menor nível da história: 1,55 filho por mulher, segundo o IBGE.

Nesse contexto — e pra driblar a solidão, que pode trazer sérias consequências à saúde e ao bem-estar —, vem ganhando força uma nova forma coletiva de envelhecer: o cohousing.

Como começou
O cohousing surgiu na Dinamarca, por volta de 1970. A ideia era simples, mas inovadora: criar comunidades colaborativas em que os moradores pudessem cuidar uns dos outros, sem depender de familiares ou instituições.

“Trata-se de uma filosofia que nutre a segurança emocional e surge como resposta ao isolamento, conferindo senso de pertencimento e propósito, além de combater a solidão, um dos maiores fatores de risco pra depressão em idosos.”

Mariana Simões, psicóloga do Grupo Valsa, em entrevista à Veja Rio

Podem ser casas lado a lado ou apartamentos um de frente pro outro — ninguém precisa dividir o mesmo teto. Diferente do coliving, onde a rotatividade é alta e nem sempre há laços entre os moradores, o cohousing reúne pessoas que escolhem viver juntas por afinidade, em comunidades organizadas de forma horizontal.

Benefícios do cohousing 

. Autonomia, mas com apoio

. Menos solidão

. Divisão dos gastos 

. Sensação de pertencimento 

. Estrutura voltada pra essa fase da vida

. Atividades em grupo

Em território nacional 

O cohousing pode ser uma alternativa ainda mais interessante no Brasil, onde as políticas públicas não acompanham o envelhecimento acelerado da população e o cuidado com os mais velhos ainda recai sobre as famílias, cada vez menores. Bons exemplos de iniciativas são o Vilarejo Sênior Cohousing, em Curitiba; a Vila ConViver, em Campinas; e a Comunidade Bem Viver, em Mogi das Cruzes.

Mas, pra que essa ideia funcione de verdade, é preciso se planejar, tanto financeiramente quanto nas relações.

“Se eu não escolho com quem quero viver a minha velhice, alguém vai escolher por mim. Eu estou com 60 anos e tenho falado com os amigos pra gente combinar uma data, uma idade, pra morarmos juntos. Isso precisa ser planejado antes da velhice chegar.”

Edson Moraes, gerontólogo e mestre em Ciências do Envelhecimento, no podcast The Summer Hunter Vozes

Todas as idades

Até os mais jovens têm buscado novas formas de morar, seja pra driblar a solidão, seja pra lidar com o alto custo de vida. Em um cohousing, um coliving ou uma ecovila — comunidade voltada pra uma vida mais sustentável —, a ideia é a mesma: criar e manter por perto uma rede de apoio confiável.